O Morgan Stanley registrou na SEC um ETF de Bitcoin spot com taxa de 0,14% ao ano — a mais baixa do mercado americano. O produto, chamado MSBT, pode redirecionar bilhões graças à rede de 16 mil assessores do banco e iniciar uma nova guerra de taxas entre gestoras.
O Morgan Stanley deu mais um passo agressivo na corrida dos ETFs de Bitcoin ao revelar, em uma atualização de seu registro S-1 junto à SEC, que o Morgan Stanley Bitcoin Trust (MSBT) cobrará apenas 0,14% ao ano em taxa de administração. O valor é o mais baixo entre todos os ETFs de Bitcoin spot disponíveis nos Estados Unidos.
A informação foi destacada pelo analista da Bloomberg Eric Balchunas, referência em análise de ETFs, e rapidamente repercutiu no mercado. A taxa fica 11 pontos-base abaixo do iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock, que cobra 0,25%, e 1 ponto-base abaixo do Bitcoin Mini Trust da Grayscale, até então o mais barato com 0,15%.
Como reportamos quando o Morgan Stanley registrou o MSBT, o banco entrou na disputa com capital inicial de US$ 1 milhão e ticker já definido na NYSE.
Por que 0,14% muda o jogo dos ETFs de Bitcoin
ETFs de Bitcoin spot oferecem exposição praticamente idêntica ao preço do ativo. Todos mantêm Bitcoin em custódia e rastreiam sua cotação. Com estruturas tão parecidas, o custo anual se torna o único diferencial competitivo real — e é exatamente aí que o Morgan Stanley está atacando.
Na prática, um assessor financeiro pode migrar o cliente de um ETF para outro com uma única operação, mantendo a mesma exposição ao Bitcoin e reduzindo custos. Essa dinâmica já provou ser eficaz: o Grayscale Bitcoin Trust (GBTC), que cobra 1,5%, viu seus ativos caírem de US$ 29 bilhões no lançamento para cerca de US$ 10 bilhões atualmente.
De acordo com o documento enviado à SEC, o MSBT é um fundo passivo que detém Bitcoin diretamente, sem buscar superar nenhum índice — apenas replicar o preço do ativo.
A máquina de distribuição de US$ 8 trilhões
Mas a taxa baixa é apenas parte da história. O verdadeiro trunfo do Morgan Stanley é sua rede de distribuição. Com aproximadamente US$ 8 trilhões em ativos sob gestão e cerca de 16 mil assessores financeiros, o banco tem a capacidade de direcionar fluxos massivos para um produto interno.
Phong Le, CEO da Strategy (antiga MicroStrategy), chamou o MSBT de potencial “catalisador monstruoso para o Bitcoin”, estimando que uma alocação de apenas 2% dos ativos do Morgan Stanley poderia representar US$ 160 bilhões em demanda — valor que superaria o tamanho de todos os ETFs de Bitcoin spot existentes.
A Coinbase atuará como custodiante e prime broker do fundo, enquanto o BNY Mellon cuidará da administração e custódia de caixa. A NYSE já emitiu aviso de listagem para o MSBT, sinalizando que a negociação pode começar rapidamente após aprovação final.
Desde o lançamento dos ETFs de Bitcoin spot em janeiro de 2024, mais de US$ 50 bilhões em fluxos líquidos já entraram nesses produtos. No entanto, como acompanhamos na última semana de saídas de US$ 296 milhões, a volatilidade de fluxos segue intensa.
O que esperar: guerra de taxas no horizonte
Se aprovado, o MSBT será o primeiro ETF de Bitcoin spot emitido diretamente por um grande banco americano — e não por uma gestora de ativos. Isso marca uma mudança significativa na dinâmica de mercado.
A expectativa é que concorrentes sejam forçados a revisar suas taxas para não perder ativos. A adoção do Bitcoin em plataformas de wealth management tem sido mais lenta que no varejo, muitas vezes limitada por políticas internas e justamente pela questão de custos. Um ETF de 0,14% dentro do próprio ecossistema do Morgan Stanley pode eliminar essa barreira.
Com os ETFs de Bitcoin captando US$ 2,5 bilhões só em março, a entrada do Morgan Stanley com preço agressivo pode ser o catalisador que o mercado institucional precisava para a próxima onda de adoção.
O Bitcoin é negociado atualmente na faixa dos US$ 66 mil.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





