A MicroStrategy, liderada por Michael Saylor e conhecida como a maior detentora corporativa de Bitcoin, anunciou uma nova rodada de financiamento para expandir suas reservas da criptomoeda. A empresa vai emitir ações preferenciais no valor de até US$ 1 bilhão, quadruplicando a oferta inicial de US$ 250 milhões revelada anteriormente.
A emissão envolverá 11,76 milhões de ações preferenciais perpétuas da Série A, com rendimento anual de 10%, a um preço público de US$ 85 cada. A expectativa é levantar cerca de US$ 979,7 milhões líquidos, destinados à compra de Bitcoin e ao reforço do capital de giro.
Se convertidos ao preço atual do Bitcoin, em torno de US$ 103.800, os recursos permitiriam a aquisição de aproximadamente 9.633 BTC — bem acima dos 705 BTC comprados recentemente por US$ 75,1 milhões.
A estratégia marca uma mudança no modelo de captação da empresa, que tradicionalmente recorria a ações ordinárias e dívida conversível. A nova estrutura, voltada para investidores institucionais, oferece dividendos não cumulativos, sinalizando uma abordagem mais sofisticada de financiamento.
Relatórios da gestora VanEck apontam que o valor das ações da MicroStrategy negocia com prêmio de 112% sobre o valor justo combinado dos seus BTC e do negócio principal de software. A valorização reflete expectativas de novas compras, possíveis vantagens regulatórias e forte apelo especulativo.
Apesar disso, o prêmio ainda é inferior ao da japonesa Metaplanet, cujos papéis chegaram a ser negociados por mais de cinco vezes o valor dos ativos em Bitcoin, evidenciando o risco de sobrevalorização em empresas que servem como proxies para exposição à criptomoeda.
Segundo a 10x Research, investidores devem estar atentos ao valor patrimonial líquido (NAV) para evitar pagar caro por uma exposição que, na prática, não oferece alavancagem real ao ativo digital.