No protagonismo global da economia tokenizada, o Brasil faz parte de um grupo robusto de 134 países que têm trabalhado na digitalização de suas moedas, o que representa 98% do mercado mundial.
Essa jornada não começou agora: em 2020, enquanto o Banco Central do Brasil (BCB) formava o primeiro grupo de trabalho para se dedicar ao desenvolvimento do real digital, além de anunciar o Pix como uma nova forma de pagamento para facilitar as transferências, Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve System), afirmava que os Estados Unidos (EUA) estavam longe de digitalizar o dólar.
Dois anos depois, enquanto o mercado brasileiro, junto com o Banco Central, testava soluções de privacidade para o desenvolvimento do Drex (real digital), Powell anunciava que os EUA começariam a estudar um possível projeto. Em 2024, a primeira fase do piloto do Drex no Brasil foi concluída, onde temas técnicos como privacidade de dados foi amplamente testada e discutida.
Mercado financeiro mira vários tokens
A segunda fase iniciou com foco no negócio, testando soluções para a inserção de novos ativos tokenizados no mercado brasileiro, como no agronegócio, com a CPR-Verde (Cédula de Produto Rural-Verde) e o CRA-Verde (Certificados de Recebíveis do Agronegócio-Verde).
Traço essa lacônica cronologia, com uma rápida esbarrada na cena norte-americana, a maior do mundo, para relembrar o avanço do Brasil na tokenização da economia e seu desempenho no ecossistema da tecnologia e inovação.
Para tangibilizar os aspectos mencionados, trago como exemplo a plataforma Nexchain, uma infraestrutura para economia tokenizada, que possibilita a integração das empresas do sistema financeiro às redes blockchain e permite a utilização de todas as transações financeiras, além de simular as previstas no Piloto do Drex, através de criação, emissão, resgate e/ou transferência de ativos digitais. A liquidação das operações na rede podem ser por meio dos sistemas de pagamentos já conhecidos, como o PIX, dentre outros.
Distribuição de renda para estudantes
A plataforma, da TecBan, fornece a rede blockchain para uso pela empresa de pagamentos de benefícios Personal Card, primeiro caso da solução. Na prática, a administradora de auxílios financeiros utiliza a infraestrutura para realizar o pagamento de benefícios escolares a 600 mil estudantes do município de São Paulo. Os estudantes recebem o valor em um aplicativo mobile para compra de material e uniformes escolares. Em operações como esta, todos os agentes ganham: a empresa que utiliza a plataforma e enxerga a redução de custos, o usuário do benefício que compra com agilidade e o emissor do auxílio financeiro, que tem visibilidade e rastreabilidade dos recursos criados – neste caso, para fins educacionais.
Diante de todo este cenário, notamos que a inovação permeia o mercado financeiro brasileiro, que mostra ao mundo o porquê é líder neste contexto na América Latina, e a tokenização está aí para provar isso. Temos um longo caminho pela frente, mas a forma como temos evoluído tem nos levado para um futuro de vanguarda deste mercado.
*Luiz Fernando Lopes é gerente executivo de produtos digitais na TecBan.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





