João Paulo Mayall, um dos principais nomes do ecossistema cripto no Brasil, encerrou sua trajetória na QR Capital em meio a uma reestruturação acionária. A mudança marca a saída dos dois fundadores, Mayall e Fernando Carvalho, que detinham 39% da empresa, agora sob controle de investidores oriundos do mercado financeiro tradicional.
Mayall foi peça-chave na criação de produtos pioneiros como o QBTC11, primeiro ETF de Bitcoin da América Latina, além de veículos ligados ao Ethereum (QETH11), DeFi (QDFI11) e Solana (QSOL11). Também liderou a implementação do primeiro fundo 100% cripto sob regulação local, dispensando estruturas offshore.
Na frente educacional, idealizou a BlockTrends e impulsionou o desenvolvimento do CCA®, a primeira certificação cripto do continente, em parceria com a ANCORD e aplicada pela FGV. Atuou ainda como consultor da ANBIMA e coordenador de estudos de CriptoFinanças com a FGV.
A saída, segundo o próprio Mayall, reflete o amadurecimento do setor. Ele prevê uma fase de integração mais estreita entre o universo cripto e o sistema financeiro tradicional. “O que era ousado virou padrão”, comentou.
Com cinco exits no currículo, incluindo ativos como Orlando City, SingularityNET e Foxbit, Mayall sinaliza foco em novos projetos com ciclo de investimento de médio prazo. Em suas análises públicas, projeta que o Bitcoin pode atingir valores entre US$170 mil e US$600 mil até o fim do ciclo atual.
Para ele, o Brasil está posicionado para liderança global em ativos digitais, graças ao papel da CVM e do Banco Central. A transição na QR Capital, segundo analistas, é um marco da profissionalização do setor e da entrada definitiva do cripto no mainstream financeiro.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





