Insider trading? Duas carteiras lucram R$ 4 milhões após listagem do GNS na Binance

Dois endereços parecem ter se aproveitado de informações privilegiadas para lucrar com a listagem do token GNS, do protocolo Gains Network, na Binance. Como de costume, o anúncio de listagem na exchange impulsionou o preço do criptoativo, que chegou a valorizar 68% nesta sexta-feira (17).

No Twitter, o perfil Lookonchain aponta que esses dois endereços adquiriram GNS até pouco antes da listagem, e venderam todas as posses logo após o anúncio. O lucro foi de quase R$ 5 milhões.

Acumulação e dump

O anúncio da Binance ocorreu nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira, momento usado pelos endereços listados por Lookonchain para vender seus saldos em GNS. As vendas foram progressivas, e ocorreram em aplicações descentralizadas.

Um dos endereços acumulou 67.707 GNS, desde 8 de fevereiro, a um custo total de aproximadamente R$ 2,5 milhões. Após a venda progressiva utilizando as plataformas 1inch e ODOS, o investidor obteve aproximadamente R$ 6 milhões ao esvaziar completamente seu saldo. O lucro foi de R$ 3,5 milhões, cerca de 140% sobre o valor investido.

Já o outro endereço teve um lucro menor, mas também significativo. Pouco antes do anúncio da listagem, o investidor comprou 26.881 GNS, pagando pouco mais de R$ 1 milhão. Logo após o anúncio, ele vendeu todo o saldo do token por R$ 1,5 milhão, obtendo um lucro de R$ 500 mil no processo. 

A forma como os movimentos de acumulação e venda foram feitos levam a crer que este é um caso de insider trading. Isso significa que a informação da listagem foi vazada, e investidores se aproveitaram para lucrar com o evento. O que reforça esta hipótese é a liquidação completa dos tokens logo após o anúncio.

Esses casos se somam aos recentes relatos de negociações com informações privilegiadas envolvendo a Binance.

Investidores ‘sortudos’?

Em 22 de janeiro, o diretor da Coinbase, Conor Grogan, listou os lucros que algumas carteiras obtiveram nos últimos 18 meses após vender tokens listados na Binance. 

Alguns casos apontados por Grogan envolveram os tokens RARI, ERN e TORN. Antes das três listagens, investidores correram para acumular esses criptoativos e, assim como no caso do GNS, despejaram seus saldos no mercado logo após os anúncios de liberação para negociação na Binance.

O que chamou a atenção do diretor da Coinbase e de outros membros da comunidade, como o jornalista Colin Wu, foi a ligação entre estes endereços. Em outras palavras, parece que um mesmo investidor, ou grupo de investidores, está obtendo informações privilegiadas sobre listagens na Binance. 

São mencionados ainda casos envolvendo os tokens GNO e RAMP, que foram igualmente lucrativos para os mesmos endereços. Grogan ressalta que esse conjunto de carteiras já chama a atenção do mercado desde 2021, rendendo até mesmo uma matéria no Wall Street Journal.

Grogan ressalta, no entanto, que não suspeita que a Binance seja responsável pelas movimentações suspeitas. “Não estou acusando a Binance. Até onde eu sei, eles têm uma forte política corporativa para evitar insider trading”, concluiu o diretor da Coinbase.

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