A Grayscale protocolou na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, um registro na SEC para lançar um ETF à vista de BNB, ativo nativo da rede BNB Smart Chain. No prospecto preliminar, a gestora afirma que o fundo pretende listar as cotas na Nasdaq sob o símbolo “GBNB”, com emissão contínua e mecanismo de criação e resgate em blocos de 10.000 cotas.
A proposta chama atenção por dois motivos práticos. O primeiro é o tamanho do ativo que o produto tenta “empacotar” para o investidor tradicional: a BNB aparece como a quarta maior criptomoeda por valor de mercado, com capitalização na casa de US$ 122 bilhões nos agregadores, patamar que a mantém no topo do ranking do setor. O segundo é a possibilidade de o ETF incorporar renda de staking. O documento deixa explícito que a meta do fundo é refletir o valor da BNB mantida, incluindo BNB obtida como “Staking Consideration”, se certas condições forem satisfeitas e se o staking for implementado.
Na estrutura descrita pela própria Grayscale, a custódia e a infraestrutura operacional ficariam com empresas do ecossistema Coinbase: Coinbase, Inc. como prime broker e Coinbase Custody Trust Company como custodiante. O texto também aponta que a Nasdaq já teria autorização regulatória para que o trust conduza criações e resgates via transações “in-kind” em troca de BNB, além de aceitar ordens em dinheiro, o que tende a reduzir fricções e apoiar o mecanismo de arbitragem que mantém o preço da cota próximo ao valor do ativo subjacente.
O movimento da Grayscale acontece num contexto em que outras casas já testaram o caminho regulatório para BNB. A VanEck, por exemplo, havia protocolado um S-1 para um ETF de BNB em maio de 2025, o que indica que a disputa por “primeiro lugar” pode depender do ritmo das análises e das etapas necessárias de listagem e aprovação.
Apesar do apelo comercial do anúncio, o protocolo na SEC não significa aprovação automática nem data definida de estreia. O próprio prospecto é preliminar e, como em outros produtos de cripto, o processo costuma envolver ajustes de linguagem, exigências adicionais e discussão sobre pontos sensíveis, como a forma de custódia, controles operacionais e, no caso específico, se e como o staking pode ser permitido sem criar novos riscos regulatórios e operacionais para o fundo.
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O pedido de ETF de BNB da Grayscale reforça a tendência de levar grandes criptoativos para o “formato Wall Street”, com promessa de acesso mais simples e estrutura conhecida do investidor tradicional. O diferencial, se avançar, está na ambição de incluir staking de forma condicionada, ponto que pode virar tanto atrativo quanto foco de escrutínio. Para o público, o melhor caminho é acompanhar o processo pelo que ele é: uma sequência de etapas regulatórias e operacionais, onde o detalhe do prospecto importa tanto quanto o manchete.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





