A fusão entre a Strive, gestora de ativos que recentemente se tornou uma empresa de tesouraria de Bitcoin, e a Semler Scientific, companhia americana de tecnologia em saúde, enfrenta oposição judicial de acionistas que alegam falta de transparência nas informações financeiras do acordo.
O acionista Terry Tran entrou com uma ação no Tribunal Distrital do Norte de Illinois contra a Semler Scientific e seu conselho de administração, acusando-os de violar as Seções 14(a) e 20(a) da Lei de Câmbio de Valores Mobiliários de 1934, que tratam de declarações enganosas em materiais de votação e responsabilidade de executivos por omissões relevantes.
“O registro é materialmente incompleto e enganoso em relação aos impactos financeiros da transação proposta e à equidade financeira do acordo”, afirma a denúncia apresentada pelo investidor.
Acordo de fusão e troca de ações
Pelos termos divulgados em setembro, a Strive, liderada pelo ex-candidato presidencial dos EUA Vivek Ramaswamy, planeja adquirir a Semler Scientific por meio de uma troca de ações. Os acionistas da Semler receberiam 21,05 ações ordinárias classe A da Strive para cada papel da Semler.
O processo alega que o CEO Douglas Murphy-Chutorian e os diretores Eric Semler, William Chang e Daniel Messina não divulgaram detalhes suficientes sobre a avaliação financeira e os impactos da fusão, prejudicando a tomada de decisão dos acionistas.
Tran pede que o tribunal suspenda a votação e bloqueie temporariamente o avanço da fusão até que a empresa publique divulgações corretivas. Caso o acordo seja concluído sem novas informações, ele solicita indenização financeira e a possibilidade de anulação da fusão.
O caso está sendo conduzido pelo escritório Ademi & Fruchter, especializado em litígios de valores mobiliários, sediado em Wisconsin.
Bitcoin como ativo de tesouraria
A Semler Scientific ganhou notoriedade em 2024 ao adotar o Bitcoin como principal ativo de reserva, realizando diversas aquisições desde então. A fusão com a Strive reforçaria a posição conjunta das empresas no grupo das 20 maiores companhias públicas com tesouraria em Bitcoin.
De acordo com o site BitcoinTreasuries.net, a Strive ocupa a 17ª posição, com 5.885 BTC, enquanto a Semler Scientific está em 20º lugar, com 5.021 BTC. Juntas, elas somariam mais de 10.900 BTC, o que as aproximaria de empresas como Galaxy Digital e CleanSpark em volume total de reservas.
No topo do ranking global, estão a MicroStrategy, com 640.250 BTC, e a MARA Holdings, com 53.250 BTC.
Possíveis impactos no setor cripto
Caso o tribunal conceda a liminar, a fusão poderá sofrer atrasos significativos, afetando o cronograma de expansão das duas empresas. A Strive e a Semler vinham sendo vistas como exemplos da convergência entre finanças tradicionais e Bitcoin corporativo, tendência cada vez mais presente entre companhias listadas em bolsa.
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