Gestoras de ativos e instituições financeiras brasileiras estão ampliando a oferta de fundos de previdência complementar com exposição parcial a criptomoedas, combinando o potencial de valorização desses ativos com a segurança de títulos de renda fixa. O movimento visa um mercado com patrimônio superior a R$ 1,6 trilhão, segundo a Anbima.
Regulamentados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), os fundos do tipo PGBL e VGBL podem alocar até 40% de seus recursos em ativos digitais, respeitando limites de exposição ao risco. Entre os destaques, está a Hashdex, que oferece quatro fundos com aplicação mínima variando entre R$ 100 e R$ 5 mil, voltados para diferentes perfis de investidores.
Segundo Samir Kerbage, CIO da Hashdex, o investimento em cripto dentro da previdência é recomendado para investidores com perfil moderado a agressivo e visão de longo prazo. A estratégia da gestora envolve rebalanceamento dinâmico: realiza lucros quando o mercado sobe e aumenta a exposição quando os preços caem.
A Empiricus Gestão também aposta nesse segmento com um fundo voltado exclusivamente a investidores profissionais. De acordo com o analista Marcello Cestari, a combinação entre cripto e títulos indexados à inflação tem potencial de retorno no longo prazo, desde que o investidor esteja ciente da volatilidade envolvida.
O Itaú ingressou nesse mercado em dezembro de 2024, mas o setor ainda enfrenta restrições regulatórias. Ao contrário dos fundos convencionais supervisionados pela CVM, os de previdência exigem parceria com seguradoras licenciadas pela Susep e devem cumprir regras específicas.
A limitação regulatória também afeta as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs), como Previ e Funcef, impedidas de alocar recursos em criptoativos por decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), sob justificativa de gestão de risco.
Apesar das barreiras, o desempenho histórico chama atenção. Enquanto a taxa Selic acumulou alta de 55,7% desde 2021, o Bitcoin valorizou 285,5% no mesmo período. Isso reforça o argumento de que uma alocação prudente em cripto pode gerar impacto relevante na aposentadoria dos investidores dispostos a tolerar maior risco.
