O fundador da Binance, Changpeng Zhao (CZ), alertou a comunidade cripto nesta sexta-feira (20) sobre o uso crescente de deepfakes em golpes virtuais, recomendando cautela até com contatos próximos. O aviso veio após um caso envolvendo a influenciadora japonesa Mai Fujimoto, conhecida como Miss Bitcoin.
Segundo Fujimoto, ela foi vítima de um golpe enquanto fazia uma chamada de vídeo com uma pessoa próxima. Sem áudio na ligação, recebeu um link para o Zoom, supostamente enviado pela amiga. O vídeo mostrava o rosto da conhecida — na verdade, uma falsificação gerada por inteligência artificial. Ao clicar no link, teve suas contas no Telegram, X (ex-Twitter) e sua carteira cripto comprometidas.
O ataque, descrito como simples mas eficaz, se baseia em invadir contas reais para abordar novas vítimas com convites para reuniões. O uso de rostos e vozes familiares reduz a desconfiança e facilita o engano.
Fujimoto relatou que a conta no X continua ativa e pode estar sendo usada para novos ataques. Ela pediu ajuda pública para denunciar o perfil @missbitcoin_mai, temendo a circulação de deepfakes com sua imagem.
CZ comentou que até verificações por vídeo se tornarão ineficazes diante do avanço dessa tecnologia. “Não clique em links de terceiros, mesmo que venham de amigos. Eles podem ter sido hackeados”, escreveu.
Golpes com deepfake crescem em frequência e valor
Casos semelhantes têm sido registrados globalmente. Em Hong Kong, no início de 2024, uma empresa perdeu R$ 128 milhões após um funcionário participar de uma videochamada com golpistas que se passaram por executivos da companhia.
Em outro episódio, um investidor brasileiro relatou prejuízo de R$ 10,4 milhões quando hackers usaram um deepfake de si mesmo para trocar senhas em uma corretora.
A própria Binance já foi alvo desse tipo de fraude. Em 2022, golpistas criaram um vídeo falso de Patrick Hillmann, então diretor de comunicações da empresa, para promover listagens fraudulentas na plataforma. Em fevereiro de 2025, outro golpe do tipo causou perdas de R$ 31 milhões em transações com créditos relacionados à falência da FTX.
Especialistas reforçam que a confiança em contatos conhecidos já não é suficiente para garantir segurança digital. A recomendação é clara: evite clicar em links não verificados e desconfie até mesmo de solicitações vindas de pessoas próximas.
