As postagens nas redes sociais sobre as apostas aumentaram 28% entre os influenciadores de finanças na comparação entre o primeiro semestre de 2024 e o último semestre de 2023, de acordo com a 7ª edição do Finfluence – quem fala de investimentos nas redes sociais. O número ainda é baixo (626). Assim, ações (73.939 menções) e criptomoedas (25.098) foram os temas mais citados no período. O estudo é da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) em parceria com o Ibpad (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados).
“Desde 2020, a Anbima monitora os influenciadores e o conteúdo postado por eles nas redes. Neste ano, nos chamou atenção o destaque para as bets. A boa notícia é que eles têm se mostrado defensores da população, disseminando os riscos e as ameaças que o mal uso das apostas pode causar”, disse Amanda Brum, gerente-executiva de Comunicação, Marketing e Relacionamento com Associados. “Vamos continuar acompanhando esse tema. Queremos ver como será o desenrolar dessa história entre os finfluencers, especialmente com a legislação entrando em vigor”
O assunto preocupa do governo a apostadores e suas famílias pelos gastos exagerados, apostas com dinheiro vindo de salários e Bolsa Família e pela falta de entendimento de que não se trata de investimento. Segundo a pesquisa, 95% das postagens (95%) do “finfluenciadores” tiveram tom responsável e os 5% de menções positivas foram categorizados como publicidade. A maioria dos influenciadores tratou o tema de maneira educativa ou como alerta, buscando conscientizar o público sobre os perigos financeiros e emocionais das bets, afirma a Anbima.
De janeiro a junho de 2024, os 175 influenciadores que fizeram postagens sobre bets transmitiram, em sua maioria, mensagens de que as apostas não são investimentos, mas uma opção de entretenimento. Houve também alertas sobre o perigo de se deixar atrair pelas promessas de ganhos fáceis e rápidos, que podem se transformar em prejuízos financeiros na mesma velocidade.
As 626 publicações tiveram um engajamento de 1.846 interações, o que mostra a busca do público por informações sobre o assunto, diz a Anbima. Mas engajam menos do que criptos, que atingem 2.502 interações.
Nesta edição da pesquisa, a Anbima e o Ibpad analisaram 335 mil publicações de 571 influenciadores, que gerenciam 1.344 perfis no Instagram, Facebook, X e YouTube. As postagem públicas são de 1º de janeiro e 30 de junho de 2024.
O levantamento mostrou que mesmo sendo 11,5% do todos os influenciadores ativos, as mulheres obtêm engajamento 21% maior do que os homens. E ganham também em audiência. Há diferenças, ainda, em abordagem. Enquanto as influenciadoras tratam mais de educação financeira, os homens falam mais de produtos, como ações e criptomoedas.
Criptomoedas no radar
Em relação ao engajamento, Criptomoedas ficaram em 8º lugar no ranking dos produtos que mais engajam, com casa de apostas em 7º e câmbio liderando.
Na categoria de perfis grandes (há os gigantes), educação financeira, criptomoedas e plataformas de investimento são os temas mais comentados. A Binance Brasil no YouTube lidera o ranking de perfis gigantes com crescimento, com 141 mil seguidores e 105% de crescimento. Nos perfis, dividendos novos criptoativos são os principais assuntos. Nos pequenos, os assuntos mais habituais são educação financeira, daytrade e criptomoedas.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





