Fed e bancos centrais reforçam ‘linhas de swap’ para combater crise bancária

O Banco Central dos Estados Unidos (Fed) anunciou um esforço coordenado com outros cinco bancos centrais com o objetivo de manter a liquidez do dólar em meio a uma série de crises bancárias nos EUA e na Europa.

O anúncio do Fed em 19 de março ocorreu apenas algumas horas depois que o banco suíço Credit Suisse foi comprado pelo UBS por US$ 3,25 bilhões como parte de um plano de emergência liderado pelas autoridades suíças para preservar a estabilidade financeira do país.

De acordo com o Conselho do Fed, um plano para fortalecer as condições de liquidez no sistema financeiro internacional será realizado por meio de “linhas de swap” – um acordo entre dois bancos centrais para trocar diferentes moedas.

As linhas de swap serviram anteriormente como uma ação de emergência instituída pelo Fed durante a crise financeira global de 2007-2008 e na resposta à pandemia do COVID-19 em 2020. As linhas de swap anunciadas pelo Fed são projetadas para melhorar as condições de liquidez nos mercados de financiamento em dólares durante condições econômicas difíceis.

Ação coordenada de bancos centrais para aumentar a provisão de liquidez em dólares:

— Federal Reserve (@federalreserve) 

“Para melhorar a eficácia das linhas de swap em linhas de financiamento em dólares, os bancos centrais que atualmente oferecem operações em dólares concordaram em aumentar a frequência das operações com vencimento em sete dias de semanal para diária”, disse o Fed em seu comunicado.

A rede de linhas de swap incluirá o Banco do Canadá, o Banco da Inglaterra, o Banco do Japão, o Banco Central Europeu e o Banco Nacional Suíço. Começará em 20 de março e se estenderá pelo menos até 30 de abril.

A medida também ocorre em meio a um momento negativo para o sistema bancário dos EUA, com os colapsos do Silvergate Bank e do Silicon Valley Bank e a intervenção do Distrito de Serviços Financeiros de Nova York assumindo o controle do Signature Bank.

O Federal Reserve, no entanto, não fez nenhuma referência direta à recente crise bancária em seu comunicado. Em vez disso, explicou que as instituições implementaram o acordo de linha de swap para fortalecer a oferta de crédito a famílias e empresas:

“A rede de linhas de swap entre esses bancos centrais é um conjunto de facilidades disponíveis permanentemente e serve como um importante suporte de liquidez para aliviar as tensões nos mercados de financiamento globais, ajudando assim a mitigar os efeitos de tais tensões na oferta de crédito para famílias e empresas.”

O anúncio do Fed provocou um debate se seria mais um movimento de flexibilização quantitativa do Banco Central dos EUA.

A economista americana Danielle DiMartino Booth argumentou que os acordos não estão relacionados à flexibilização quantitativa ou à inflação e não “afrouxam” as condições financeiras:

MOMENTO DE PREVENÇÃO DA DESINFORMAÇÃO

Linhas de swap NÃO constituem afrouxamento de condições financeiras.

Mais um exemplo: você é um médico. Um paciente está tendo uma parada cardíaca. Você pode VER os instrumentos para reanimá-lo, mas não pode ALCANÇÁ-LOS. Essas linhas de swap DÃO a você os instrumentos necessários para agir.

— Danielle DiMartino Booth (@DiMartinoBooth)

O Banco Central dos EUA tem trabalhado para evitar uma escalada da crise bancária.

Na semana passada, o Fed criou um programa de financiamento de US$ 25 bilhões para garantir que os bancos dos EUA tenham liquidez suficiente para cobrir as demandas de seus clientes em meio às difíceis condições do mercado.

Uma análise recente de vários economistas sobre o colapso do SVB descobriu que até 186 bancos dos EUA correm risco de insolvência:

“Mesmo que apenas metade dos depositantes não segurados decida sacar seus fundos, quase 190 bancos correm um risco potencial de perdas para os depositantes segurados, com potencialmente US$ 300 bilhões em depósitos segurados em risco.”

O Cointelegraph procurou o Banco Central dos EUA para obter comentários sobre a nova medida, mas não recebeu uma resposta imediata.

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