Didi Taihuttu, conhecido por vender todos os bens em 2017 para investir em Bitcoin, adotou novas medidas de segurança após o aumento de crimes envolvendo criptomoedas. Ele, a esposa e as três filhas passaram a distribuir o acesso às suas carteiras digitais em quatro continentes, estratégia implantada desde 2021, mas reforçada após casos recentes.
O alerta foi renovado com a tentativa de sequestro da filha de um executivo do setor na França, ocorrida durante o dia. Em resposta, Taihuttu afirmou que sua família evita visitar países considerados de maior risco.
Além da descentralização geográfica das carteiras, a família substituiu os dispositivos de armazenamento por placas de metal com palavras-chave, evitando brechas digitais como backdoors ou acessos remotos. Em entrevista à CNBC, Taihuttu afirmou que, mesmo sob ameaça, seria impossível entregar grandes quantias, pois seu celular contém apenas um volume mínimo de criptoativos.
Apesar da visibilidade conquistada ao promover a educação financeira e o uso do Bitcoin, os riscos aumentaram. A família já recebeu ameaças e, por isso, decidiu reduzir a exposição nas redes sociais e interromper gravações que mostravam detalhes da rotina.
Segundo o desenvolvedor Jameson Lopp, ao menos 29 ataques contra investidores de criptomoedas foram registrados em 2025. Em um dos casos mais graves, um italiano foi torturado por três semanas nos Estados Unidos para revelar suas senhas.
A família também se antecipou a movimentos do mercado ao abandonar corretoras centralizadas antes da falência da FTX. Mesmo durante quedas expressivas no valor do Bitcoin, mantiveram sua convicção no ativo e seguiram com o modelo descentralizado.
“Nossa escolha é educar, mesmo com os riscos”, afirmou Taihuttu, reforçando o compromisso com a causa, ainda que isso exija cuidados rigorosos com a própria segurança.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





