A rede Ethereum pode passar por uma das maiores mudanças desde a transição para o modelo de proof-of-stake. Desenvolvedores discutem a proposta EIP-7782, que visa reduzir o tempo de bloco de 12 para 6 segundos, dobrando a frequência de criação de blocos até a atualização prevista para 2026, chamada Glamsterdam.
A proposta, liderada por Barnabé Monnot, do Ethereum Foundation, busca acelerar confirmações de transações, melhorar a experiência dos usuários e aumentar a eficiência de operações DeFi. Segundo ele, uma rede mais responsiva pode elevar o “preço do serviço” da Ethereum, ou seja, o valor capturado pela rede por fornecer liquidação e segurança para ativos digitais.
A mudança traria benefícios diretos como atualizações mais rápidas em carteiras e aplicativos descentralizados (DApps), maior frequência de dados on-chain e menos possibilidade de censura de transações — já que mais blocos por minuto implicam mais validadores atuando.
Além disso, especialistas apontam que mercados descentralizados se tornariam mais eficientes, com redução de perdas por arbitragem e menores taxas de negociação, graças à maior liquidez e rapidez na atualização de preços.
A proposta, no entanto, traz desafios técnicos. Validadores com conexão lenta ou hardware limitado podem ter dificuldade para acompanhar os novos prazos. A alteração também exigiria maior largura de banda e testes rigorosos para garantir a estabilidade da rede e a segurança de contratos inteligentes.
O EIP-7782 inclui ajustes nos tempos de subslot: o tempo de proposta de bloco passaria de quatro para três segundos; atestações e agregações cairiam para 1,5 segundo cada — totalizando seis segundos por slot. A adoção da proposta está prevista para a atualização Glamsterdam, que ainda está em fase de planejamento, com foco em eficiência e custos de gás.
Se aprovada, a medida pode marcar um novo padrão de desempenho para a segunda maior blockchain do mundo.
