Os fundos de criptomoedas da BlackRock começaram o ano com forte retração nas captações. De acordo com o relatório de resultados do primeiro trimestre da gestora, os ETFs spot de bitcoin (BTC) e ether (ETH) receberam US$ 3 bilhões em entradas líquidas nos três primeiros meses de 2025 — uma queda de 83% em relação ao volume registrado no último trimestre de 2024, período marcado por um rali nos preços impulsionado pela vitória eleitoral de Donald Trump.
Mesmo com a queda expressiva, os fundos focados em ativos digitais ainda demonstram apelo entre investidores. Os US$ 3 bilhões em aportes representaram 2,8% das entradas totais registradas pelos ETFs iShares da BlackRock no período, que incluem também fundos de ações, renda fixa e estratégias alternativas. No entanto, a representatividade em termos de receita foi modesta: os ETFs de cripto geraram apenas US$ 34 milhões em taxas — menos de 1% da receita de longo prazo da empresa.
No fim do trimestre, a gestora administrava aproximadamente US$ 50,3 bilhões em ativos digitais, valor que representa cerca de 0,5% do total de mais de US$ 10 trilhões sob gestão da companhia.
A retração nas aplicações ocorre em meio à fraqueza do mercado de criptomoedas nos primeiros meses do ano. O desempenho morno dos preços de bitcoin e ether, aliados à cautela dos investidores diante de um cenário macroeconômico instável no início do novo governo Trump, impactaram diretamente o volume de ingressos nos ETFs. No mesmo período, os ingressos gerais da família iShares caíram 70%, de US$ 281 bilhões no quarto trimestre para US$ 84 bilhões no primeiro trimestre de 2025.
Apesar da desaceleração, os números ainda apontam para uma base sólida de demanda pelos fundos cripto, sugerindo que o setor continua relevante no portfólio de investidores institucionais, ainda que com menor intensidade frente aos picos recentes.





