Um levantamento da Pluxee, empresa global de soluções para o ambiente de trabalho, aponta que 32% dos profissionais brasileiros temem ser substituídos pela inteligência artificial. O estudo ouviu dois mil trabalhadores de diferentes regiões do país e revela que, apesar da apreensão, a maioria (75%) vê a tecnologia como uma aliada no ambiente corporativo.
A pesquisa mostra que 31,3 milhões de empregos e 13 profissões devem ser impactados pela IA no Brasil. Setores como atendimento ao cliente, operações, administração e marketing estão entre os mais suscetíveis às transformações, especialmente pela automação de tarefas repetitivas. Para 73% dos entrevistados, esse é o principal benefício da tecnologia, seguido pela melhoria nas decisões estratégicas (51%) e pelo incentivo à inovação (25%).
Apesar dos avanços, 11% enxergam a IA como uma ameaça à autonomia humana. O temor da substituição afeta principalmente profissionais de funções operacionais. No entanto, 28% reconhecem os riscos, mas acreditam na adaptação, e 22% confiam que as empresas conseguirão implantar a IA de forma ética e transparente.
De acordo com Fernando Radunz, diretor da Pluxee, o desafio está em integrar a IA com responsabilidade, mantendo o foco nas pessoas. Ele destaca que 43% dos profissionais preferem treinamentos práticos como forma de adaptação, enquanto 32% defendem que a IA deve complementar, e não substituir, o trabalho humano.
Regulamentação da IA avança no Congresso
A crescente presença da inteligência artificial no cotidiano pressiona o Congresso a acelerar o debate sobre sua regulamentação. O Projeto de Lei 2338/2023, aprovado no Senado e atualmente em análise na Câmara, propõe regras para o uso responsável da tecnologia no país.
Durante audiência pública, o Ministério da Fazenda defendeu a urgência da proposta, destacando a necessidade de equilíbrio entre inovação e proteção de direitos. A regulamentação deve incluir critérios de risco, fiscalização, cadeia de responsabilidades e diretrizes para proteger dados e evitar discriminação.
Especialistas e representantes do setor produtivo defendem um modelo regulatório flexível e dinâmico, que não impeça o avanço tecnológico. A Sociedade Brasileira de Computação apontou que 72% das empresas brasileiras já usam IA em algum nível e que 54% da população interage com a tecnologia no dia a dia.
A comissão especial que analisa o PL na Câmara é composta por 34 deputados e terá dez sessões para apresentar parecer. A proposta prevê consulta pública e pode sofrer ajustes, principalmente em pontos como reconhecimento facial e direitos autorais, considerados sensíveis.
A expectativa é que a regulamentação garanta segurança jurídica, estimule investimentos e permita que o Brasil se posicione como protagonista no desenvolvimento da inteligência artificial, sem perder de vista a inclusão digital, a ética e a proteção dos mais vulneráveis.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





