Nesta semana, tive uma conversa que fui obrigado a pensar na resposta, para dar uma explicação simples de fácil entendimento e que fosse correta. Esta conversa teve uma pergunta básica: o que é o unified ledger?
Pense que o ledger é como uma planilha. Nela, você escreve informações em cada linha, registrando as transações. Uma vez escrita, aquela linha não pode ser alterada. Se precisar ajustar algo, você escreve na linha seguinte o novo valor ou a mudança, mas o histórico original permanece intacto.
Agora, pense que essa planilha está replicada em várias cópias exatas, distribuídas entre diferentes participantes da rede. Cada vez que você adiciona uma nova linha, a transação é validada por todos os participantes e replicada em todas essas cópias. Isso é um ledger distribuído, onde todas as transações são verificadas e registradas em múltiplos lugares, garantindo segurança e integridade por meio do consenso.
Mas a coisa não para por aí. Essa planilha pode ser ainda mais poderosa com a possibilidade de programar macros – aquelas automações que realizam tarefas com base em condições predefinidas. Se algo acontecer, a macro executa uma ação; se não, faz outra coisa. No mundo do Blockchain, essas macros são os contratos inteligentes.
Conectando Ledgers
Assim, o Drex é essa “planilhona” que vai manter o registro das as transações financeiras, com o diferencial de não ser um único ledger centralizado. Em vez disso, os dados ficam distribuídos por instituições financeiras reguladas, respeitando a privacidade e o sigilo bancário. E o mais importante: com a possibilidade de contratos inteligentes, automatizando e agilizando processos.
Agora, pense em outra planilha – digamos, uma que registra veículos. Nessa planilha, toda vez que um veículo é fabricado cria um registro e quando muda de dono, essa mudança é registrada. E se pudermos criar uma vinculação entre planilhas? Quando a planilha de veículos registra a transferência do veículo XYZ do proprietário A para proprietário B, automaticamente a planilha do Drex cria uma transação transferindo o valor R$ Z,zz do correntista B para correntista A.
Isso vai além. A planilha de veículos pode ter uma linha indicando que o veículo está alienado, e a planilha do Drex pode registrar detalhes das parcelas pagas e do saldo devedor. Esse é o poder de conectar diferentes ledgers, permitindo que transações de diferentes naturezas se integrem e funcionem juntas.
Unified Ledger
Pense ainda em que tudo roda na mesma planilha. O Drex, os registros de veículos, imóveis e muito mais seriam apenas abas dessa grande planilha unificada. Simples, não?
Ou, pense em outro cenário: cada uma dessas operações roda em planilhas diferentes – uma no Excel, outra no Calc, uma terceira no Google Sheets, e mais uma no Open Office. Nesse modelo, programar as macros em cada planilha seria diferente. A segurança, a disponibilidade e até a velocidade de cada uma seriam variáveis. E aqui entra uma importante questão: “Blockchains não são todos iguais”, como diz o programador e especialista Jeff Prestes
Cada ledger tem suas características, sua segurança, e suas funcionalidades. E é aqui que entra a compossibilidade – a capacidade de fazer com que essas diferentes planilhas -na verdade ledgers – trabalhem juntas, como se fossem uma só.
Finternet
O Drex será essa plataforma distribuída que mudará a forma como lidamos com transações e registros.
Se conseguirmos criar um protocolo que unifique todos esses ledgers de maneira segura, com alta disponibilidade, performance, escalabilidade e resiliência, teremos o chamado unified ledger. Nesse cenário, diferentes “planilhas” com funções variadas seriam capazes de se comunicar e executar as mesmas automações de forma integrada. A leitura de dados e a execução de contratos inteligentes se tornariam fluídas, garantindo eficiência e segurança.
Esse é o futuro que a Finternet promete – um ecossistema financeiro digital onde plataformas diversas interoperam de forma contínua. Registros de transações financeiras, ativos tokenizados e contratos inteligentes coexistirão, proporcionando uma experiência segura e eficiente para os usuários. As barreiras entre diferentes tipos de registros começarão a desaparecer, abrindo espaço para uma economia mais conectada.
A explicação é simples, mas os desafios são grandes. À medida que sistemas diferentes começam a “falar a mesma língua” e operar de forma integrada, o futuro das finanças e dos contratos inteligentes será não apenas mais eficiente, mas também mais acessível e seguro.
Leia mais artigos de Rogério Melfi em:
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





