Bryan Bishop, desenvolvedor do Bitcoin Core, publicou uma proposta para privatizar parte do desenvolvimento da principal criptomoeda, visando reduzir a exposição de conteúdos técnicos a pessoas leigas, que, segundo ele, geram desinformação e discussões improdutivas. A ideia surge após rejeições recentes a mudanças no código e pressão nas redes sociais, como o caso da desenvolvedora Gloria Zhao, que chegou a deletar seu Twitter.
Bishop sugere que o trabalho fosse realizado em uma plataforma fechada, como GitLab, acessível apenas a membros registrados. As contribuições continuariam open-source, com possibilidade de replicação em repositórios públicos. A moderação e o controle ficariam a cargo dos administradores, protegendo o desenvolvimento de ataques coordenados, especialmente vindos de atores poderosos como Estados-nação.
O desenvolvedor ressalta que esse modelo já ocorre em empresas privadas que trabalham com Bitcoin, mas alerta que a comunidade pública acaba ficando de fora das decisões importantes, o que pode enfraquecer a transparência.
A proposta dividiu a comunidade. Muitos criticaram a ideia nas redes sociais, argumentando que o Bitcoin deve permanecer aberto e sujeito à pressão pública para evitar concentração de poder e manter sua natureza descentralizada. Outros afirmaram que o problema da moderação em plataformas públicas é pontual e pode ser resolvido sem fechar o processo.
O debate evidencia o desafio de equilibrar transparência e eficiência em um projeto open-source de grande impacto social e econômico.
