O avanço do mercado de criptoativos no Brasil despertou a atenção de parlamentares, que começam a enxergar no setor mais do que movimentação financeira: veem nele um novo vetor de poder político. Com cerca de 25 milhões de brasileiros investindo em cripto, segundo a consultoria Triple-A, o segmento representa hoje uma massa eleitoral expressiva, capaz de influenciar disputas nas urnas.
Deputados e senadores, atentos ao potencial desse eleitorado, começam a incorporar pautas ligadas ao Bitcoin e ao ecossistema digital em seus discursos. O movimento reflete o que ocorreu nos Estados Unidos, onde Donald Trump teve aumento nas intenções de voto após se posicionar favoravelmente às criptomoedas.
No Brasil, o cenário é mais complexo. Embora parlamentares que defendem o setor estejam ganhando visibilidade, ainda não há uma bancada organizada no Congresso com força suficiente para enfrentar medidas como a proposta de taxação de 17,5% sobre criptoativos, prevista na nova Medida Provisória do governo federal.
O governo Lula, por sua vez, adota postura cautelosa e tem encontrado resistência no Congresso em outras frentes. Essa disputa de poder abre espaço para que novos atores busquem protagonismo no tema cripto.
Outro fator que dificulta o avanço do setor no ambiente político é a influência dos bancos tradicionais, historicamente resistentes à descentralização financeira promovida pelos ativos digitais. Ainda assim, exchanges começam a se mobilizar politicamente para ampliar sua presença e disputar espaço institucional.
O ambiente em Brasília indica o início de uma disputa por influência no setor cripto. Parlamentares, instituições financeiras e empresas do setor se movem em um novo tabuleiro, onde voto e capital digital passaram a ter peso estratégico.