Cripto é para todos e para todas

A tecnologia tem o poder transformador de promover inclusão e proporcionar acesso a serviços financeiros a toda a população. As mulheres são um exemplo de público que tem procurado, cada vez mais, alternativas que lhes dêem independência, oportunidades e liberdade financeira. Nesse contexto, a tecnologia cripto representa uma opção realista e acessível para elas criarem, construírem ou aumentarem sua riqueza.

De fato, a cada mês, o Brasil bate novo recorde em número de mulheres investindo em cripto. Segundo a Receita Federal, em janeiro de 2023 as mulheres foram responsáveis por 25,9% das operações com cripto no país. Um ano atrás, esse índice era de 15,8%. Fico otimista em ver que, apesar de ainda existir um gap relevante de gêneros, a tendência é de que a participação feminina continue crescendo nesse mercado. 

A América Latina é uma região ainda marcada por uma cultura que tem profundamente enraizados papéis de gênero que não contemplam a função ativa da mulher na vida econômica da sociedade e que relega sua participação ao trabalho familiar ou de cuidado. Isso se reflete até mesmo na oferta de produtos e serviços financeiros que acabam não conseguindo atender diretamente às necessidades das mulheres. Somado a isso, existe uma lacuna de promoção educacional e financeira que afeta o entendimento, o interesse e o uso das ferramentas pelo segmento feminino. Isso acaba reforçando um sistema sociocultural que favorece a mulher economicamente dependente, ganhando menos e sem alternativas que lhe permitam alcançar a liberdade financeira.

O quadro se repete na liderança do mercado corporativo. Dados do TradeMap mostram que a presença feminina em cargos executivos cresceu 78% nos últimos 5 anos. Mas apesar desse avanço, as mulheres ainda ocupam somente 14,5% das posições de comando das empresas de capital aberto no Brasil.

Podemos conectar as origens dessa disparidade com a maneira em como somos criados e educados. Historicamente, o gênero tem sido estereotipado nas profissões, influenciando a aspiração de carreira de meninos e meninas a cada geração. Matemática, ciências, engenharia e finanças são exemplos de funções tradicionalmente atribuídas aos homens. Às mulheres sempre foram mais associados os trabalhos humanitários. Assim, encontrar mulheres que liderem o setor financeiro e que, portanto, construam produtos focados nelas torna-se um desafio no setor.

Ainda temos um longo caminho pela frente, mas estamos na direção certa e temos as ferramentas para reparar esse erro histórico. Assim como há algumas décadas a chegada da internet transformou tudo e sua evolução e massificação deram às pessoas acesso democratizado ao conhecimento, da mesma forma a indústria cripto veio para gerar um impacto positivo na vida das pessoas. Graças à tecnologia cripto, mais mulheres são e serão capazes de quebrar as barreiras que ainda as mantêm dependendo dos outros e poderão tomar melhores decisões sobre sua vida econômica, administrar seu dinheiro e transformar seus negócios e suas finanças.

O melhor de tecnologias como internet e criptomoedas é que não é necessário ter um conhecimento técnico profundo sobre o assunto para usufruir dos benefícios que elas proporcionam; são muito mais inclusivas e isso ajuda muito a combater os fatores que retardam a emancipação das mulheres.

A revolução cripto já começou a ter impactos no Brasil. O país já é o 7o maior mercado em número de transações de criptomoedas do mundo, e com cerca de 6 milhões de usuários, segundo levantamentos da Chainalysis e Anbima, respectivamente. À medida que cripto vai entrando no nosso dia a dia, vamos percebendo as barreiras diminuírem e darem lugar a um ambiente de maior inclusão e liberdade financeira. É uma aspiração que não só melhora a vida das mulheres, mas também ajuda a acabar com vieses ultrapassados que só retardam a evolução das nossas sociedades. Dar a todos e a todas o poder para usarem seu dinheiro quando, onde e como quiserem é abrir as portas para um futuro com grandes oportunidades.

As informações contidas neste texto são de responsabilidade da autora e não necessariamente refletem as posições do Cointelegraph Brasil.

*Bárbara Espir é VP Jurídico da Bitso.

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