O fundador da ContaRico, Marlon Klein, que deixou de dar retorno às pessoas que aportaram dinheiro na empresa esperando receber retornos financeiros, iniciou o processo de uma ação de mais de R$ 1,5 milhão contra o WeDev Group e o iHold Bank Correspondente Bancário, empresas do mesmo grupo. Alega que o WeDev está retendo valores seus e o iHold não entregou serviços contratados . Ao mesmo tempo, Klein também é alvo de ações de clientes da sua empresa por conta dos não pagamentos.
Fernando Lopes, do Lopes e Zorzo Advocacia, escritório contratado pela ContaRico, afirmou ao Blocknews que em 2 de maio de 2024 houve um Pix para a WeDev de R$ 1,5 milhão referente a um contrato de mútuo. Esse contrato significa um empréstimo de algo fungível, portanto, pode ser devolvido em outro ativo equivalente. O acordo previa o pagamento mensal de 2,2% sobre o valor, ou seja, R$ 33 mil. Mas disso, 2% seriam pagos em prestação de serviços e 0,2% acumulados sobre o valor principal e pagos em até 12 meses a partir do envio dos recursos – neste caso, início de maio de 2025.
Um memorando de entendimento de suporte entre a ContaRico e a WeDev, de 10 de abril de 2024, por sua vez, estabelece que esse suporte se dará por ações como revisão da estrutura tecnológica e modelo operacional da empresa de Klein, estruturação do modelo econométrico, adequação do modelo de Sociedade em Conta de Participação (SCP), revisão, adequação e acompanhamento do tokenomics e estruturação de Receita Mensal Recorrente. Fontes do mercado dizem que o acordo envolveria tokenização, termo não usado por nenhuma das partes.
Numa entrevista por escrito ao Blocknews, Klein disse que após uma consultoria inicial de R$ 150 mil, “a WeDev solicitou um investimento adicional de R$ 1,5 milhão para custear desenvolvedores, prometendo retorno financeiro e permuta”. A ContaRico, segundo um termo de uso da plataforma enviado ao Blocknews, é uma plataforma de negociação de tokens em que as pessoas que aportam recursos recebem tokens Rico. E ele afirmou que faz recompra de tokens pagando com os tokens. Faltam informações sobre os tokens, seus lastros ou referências, por exemplo. Sobre segregação patrimonial do que é da ContaRico e dos clientes, nenhuma palavra.
De acordo com o fundador da ContaRico, o acordo com a WeDev foi feito com a condição de que, se necessário efetuar recompra de tokens, “teria os recursos de volta para honrá-los”. Porém, quando alguns clientes solicitaram recompra, os responsáveis da WeDev não responderam mais às mensagem e não conseguiu mais falar com a empresa. Um dos representantes das empresa citados por Klein é Eduardo Ribeiro Fiho, co-fundador da WeDev e do iHold Bank. Em seu perfil, também é cofundador da WeDev Ventures. Num vídeo recente na internet, o ex-CEO do WeDev disse que a empresa era investidora do iHold.
Por sua vez, o iHold Bank Correspondente Bancário contra o qual foi protocolada a ação na Justiça em 10 de outubro passado, teria de entregar o serviço de “Whitelabel Uóleti (o documento traz a grafia uóleti do que pode ser wallet, o termo em inglês usado no Brasil), um gateway de pagamento com recursos abrangentes”. Assim, os serviços seriam, por exemplo, um processo de onboarding de usuários, um arranjo de pagamento fechado com funcionalidades como tesouraria em blockchain, transferência entre contas e integração com o Pix para cash in e cash out. Estava previso uso de moeda fiat e cripto.
Ele afirmou que conheceu representantes da WeDev num evento do programa de aceleração Next da Fenasbac, a federação dos servidores do Banco Central. Isso não significa que ambos participaram do Next. Aliás, Klein costuma ir a eventos ligados ao BC e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e usa imagens feitas nessas ocasiões em postagens nas redes sociais. Com isso, busca mostrar que está envolvido com tokenização e buscando conhecimento sobre o Drex. Faz o mesmo com textos em plataformas como a Medium e LinkedIn.
O espaço está aberto para a WeDev se manifestar.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





