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Como o “PL das Big Techs” pode influenciar o mercado cripto

Mauro Andrade by Mauro Andrade
novembro 13, 2025
in Notícias
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Como o “PL das Big Techs” pode influenciar o mercado cripto
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Nova proposta do governo mira grandes plataformas digitais, mas redação ampla pode incluir exchanges e provedores de serviços de ativos virtuais no mesmo enquadramento regulatório.

O Projeto de Lei nº 4.675/2025, apresentado pelo Governo Federal, propõe uma ampla revisão das regras de concorrência aplicadas às grandes empresas de tecnologia.
A medida, elaborada pela Secretaria de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda em conjunto com a Casa Civil, busca coibir práticas de abuso de poder econômico por plataformas digitais consideradas “sistemicamente relevantes” — as chamadas big techs.

Se aprovado, o texto poderá ter impacto direto sobre o mercado de ativos virtuais, abrindo margem para que exchanges e provedores de serviços cripto sejam enquadrados sob as mesmas obrigações de empresas como Google, Meta, Apple e Microsoft.


O que o projeto propõe

O PL altera o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (Lei nº 12.529/2011) e cria, dentro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), uma nova Superintendência de Mercados Digitais.
Esse órgão teria poder de regulação preventiva, permitindo intervir antes mesmo de práticas consideradas abusivas ocorrerem.

A classificação de “relevância sistêmica” seria aplicada a plataformas com faturamento superior a R$ 5 bilhões no Brasil ou R$ 50 bilhões no mundo, além de influência significativa sobre o mercado digital, volume de dados ou atuação em múltiplos segmentos.
O superintendente seria indicado pelo Presidente da República e aprovado pelo Senado, com mandato de dois anos.

Embora a proposta tenha sido concebida para tratar de concentração de poder em grandes corporações tecnológicas, sua redação genérica amplia o alcance regulatório para outros agentes econômicos digitais — inclusive exchanges de criptomoedas.


Criptomoedas entram na zona cinzenta

A ausência de uma definição precisa do termo “plataforma digital” abre espaço para interpretação extensiva.
Isso significa que corretoras de ativos virtuais, que movimentam volumes bilionários e exercem papel central no sistema financeiro digital, podem acabar sendo incluídas no grupo de empresas “sistemicamente relevantes” sob vigilância do CADE.

O problema, apontam especialistas, é que não houve debate técnico sobre os efeitos dessa sobreposição regulatória no ecossistema de ativos virtuais.
Com a regulação específica das criptomoedas ainda em desenvolvimento pelo Banco Central, o risco é de que o novo PL crie obrigações desproporcionais e insegurança jurídica para um setor que ainda busca consolidação e clareza normativa.

Na prática, o texto poderia impor às exchanges regras de transparência e concorrência similares às impostas às big techs, sem considerar as particularidades do mercado de criptoativos, que opera com estruturas e riscos completamente distintos.


Risco de excesso regulatório

O avanço do PL 4.675/2025 reforça uma preocupação recorrente no mercado de inovação: o perigo de legislar sem base técnica.
A falta de diálogo com especialistas em blockchain e política monetária digital pode resultar em regras que travam o desenvolvimento tecnológico, afastam investimentos e repetem erros históricos de sobre-regulação.

Para analistas, o governo acerta ao buscar equilíbrio entre livre concorrência e controle de monopólios digitais, mas erra ao não distinguir o ecossistema das finanças descentralizadas.
Sem ajustes, o projeto pode colocar o Brasil em desvantagem frente a países que estão construindo marcos regulatórios específicos e mais sofisticados para o setor de ativos digitais.


O que vem a seguir

O PL segue em tramitação no Congresso e ainda não há previsão de votação.
A expectativa é que o texto seja debatido em comissões técnicas antes de ir a plenário, onde parlamentares poderão propor emendas que delimitem o alcance do conceito de “plataforma digital” e evitem impactos indevidos sobre exchanges e fintechs cripto.

O debate reacende a importância de incluir o mercado de ativos virtuais nas discussões legislativas sobre economia digital, garantindo segurança jurídica e estimulando inovação.


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