O banco norte-americano Citi anunciou uma parceria estratégica com a SIX Digital Exchange (SDX), braço de ativos digitais da principal bolsa de valores da Suíça, para lançar uma plataforma de negociação de ações privadas tokenizadas. O projeto, previsto para ser lançado no terceiro trimestre deste ano, visa modernizar e dar liquidez ao mercado secundário de ações pré-IPO — avaliado em cerca de US$ 75 bilhões.
Com foco inicial em investidores qualificados da Suíça, Cingapura e outros países asiáticos (excluindo os Estados Unidos), a iniciativa utilizará tecnologia blockchain para transformar ações de empresas privadas em ativos digitais, permitindo operações mais rápidas e com menos burocracia. O Citi atuará como custodiante e agente emissor dessas ações tokenizadas, por meio da Central de Depósito de Valores Mobiliários (CSD) da SDX.
“O aspecto mais notável dos mercados privados é a ausência de uma infraestrutura escalável. Hoje, os investidores lidam com PDFs, papelada e liquidações que podem demorar até oito semanas”, destacou Nisha Surendran, líder de soluções digitais emergentes do Citi Ventures.
A nova plataforma quer resolver exatamente isso: simplificar processos, dar mais visibilidade aos ativos privados e ampliar o acesso a investidores institucionais, que até então enfrentavam dificuldades para operar nesse segmento por conta da natureza manual e pouco padronizada das transações.
Com base na tecnologia Corda, da R3, a SDX opera sob uma estrutura legal suíça para títulos desmaterializados. Na prática, isso significa que os investidores visualizarão os ativos tokenizados diretamente em suas contas bancárias, como qualquer outro título tradicional — sem necessidade de infraestrutura adicional.
“Estamos em um ambiente regulatório maduro para valores mobiliários digitais aqui na Suíça, o que não é o caso de outros países”, afirmou David Newns, CEO da SDX. “A tokenização promete muito, mas muitos projetos travaram por falta de clareza legal e dificuldades operacionais.”
Além do Citi, outras instituições como o banco digital suíço Sygnum e a SBI Digital Markets, sediada em Cingapura, também estão envolvidas no projeto, que visa consolidar o mercado secundário de ações de startups em crescimento — especialmente aquelas avaliadas em bilhões de dólares, mas que adiam seus IPOs devido às condições adversas do mercado.
“Esta colaboração mostra como estamos comprometidos em fornecer aos nossos clientes acesso a novas fronteiras dos ativos digitais, inclusive no setor de empresas privadas”, afirmou Nadine Teychenne, chefe global de ativos digitais do Citi.





