CEO da Binance nega novamente negociações com família Trump, mas elogia ex-presidente
O CEO da Binance, Richard Teng, voltou a negar que a Binance.US tenha mantido conversas sobre um acordo com entidades ligadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita durante sua participação na Cúpula de Ativos Digitais 2025 da Blockworks, realizada em 18 de março, em Nova York.
Teng reforçou a mesma posição já adotada pelo fundador da Binance, Changpeng “CZ” Zhao, e pelo próprio Trump, que na semana passada desmentiram a informação divulgada pelo The Wall Street Journal. Segundo a publicação, a Binance.US estaria negociando a venda de participação acionária para empresas associadas ao ex-presidente, incluindo um possível acordo com a World Liberty Financial, projeto de finanças descentralizadas (DeFi) ligado à família Trump.

“Acredito que tanto a World Liberty Financial quanto o próprio CZ já desmentiram essa história, certo? Então, não há realmente mais nada a acrescentar”, afirmou Teng.
Binance e Trump: relação próxima, mas sem acordos oficiais
Apesar da negativa sobre qualquer acordo, o CEO da Binance aproveitou o momento para elogiar Trump, destacando que a empresa se beneficiou das políticas “pró-cripto” adotadas pelo ex-presidente.
“O ano passado foi um marco, pois as instituições finalmente começaram a entrar no setor”, afirmou Teng. “Com Trump propondo tanto uma reserva estratégica de criptoativos quanto um estoque de ativos digitais, isso forçará governos ao redor do mundo a olharem para este espaço com mais seriedade.”
Diferentemente do ex-presidente Joe Biden, que adotou uma postura mais rígida em relação ao setor cripto, Trump declarou que quer transformar os Estados Unidos na “capital mundial das criptomoedas“, nomeando líderes favoráveis à indústria para cargos regulatórios estratégicos.
Acusações de lobby e possível perdão presidencial
O relatório do The Wall Street Journal também citou fontes que alegam que CZ, fundador da Binance, estaria pressionando a administração Trump para obter um perdão presidencial após cumprir quatro meses de prisão nos EUA. O jornal, no entanto, destacou que não está claro se o suposto acordo envolveria diretamente a participação da família Trump ou se seria condicionado ao perdão de CZ.
A Binance segue sendo a maior exchange de criptomoedas do mundo, mas a Binance.US enfrenta dificuldades no mercado norte-americano, ficando atrás da Coinbase.
Em resposta à reportagem, CZ negou as acusações em uma postagem no X (antigo Twitter), enquanto Trump fez o mesmo em sua plataforma Truth Social, atacando o veículo de comunicação:
“O globalista Wall Street Journal não sabe o que está dizendo. Eles são influenciados pelo pensamento poluído da União Europeia, que foi criada com o propósito principal de ‘prejudicar’ os Estados Unidos”, escreveu o ex-presidente.
O lançamento de uma memecoin em 18 de janeiro pela equipe de Trump e sua ligação com a World Liberty Financial têm levantado preocupações sobre potenciais conflitos de interesse. Especialistas apontam que essas movimentações rompem normas estabelecidas para presidentes dos EUA, podendo gerar consequências políticas e regulatórias para o setor cripto.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





