A Casa Branca deve apresentar nas próximas semanas novos detalhes sobre a Reserva Estratégica de Bitcoin dos EUA. O plano mira inventário, custódia e segurança dos criptoativos já detidos pelo governo, após relatos de falhas em carteiras ligadas a apreensões federais.
A Casa Branca deve divulgar “nas próximas semanas” uma atualização sobre a aguardada Reserva Estratégica de Bitcoin dos Estados Unidos, segundo Patrick Witt, diretor-executivo do conselho presidencial para ativos digitais, em fala ao CoinDesk durante a conferência Consensus Miami.
O ponto central não é uma compra imediata de BTC pelo governo, mas a organização dos criptoativos que já estão sob controle federal. De acordo com Witt, a administração trabalha há meses para inventariar, centralizar e proteger bitcoins e outros ativos digitais mantidos por diferentes agências.
Custódia virou prioridade após falhas em carteiras federais
Witt afirmou que o governo interrompeu liquidações que chamou de “fire sale” e passou a auditar quais ativos digitais cada agência mantinha. Ele também citou relatos de carteiras frias guardadas de forma improvisada em escritórios públicos, um sinal de que a infraestrutura de custódia ainda precisa amadurecer.
A urgência aumentou depois de um possível incidente envolvendo ativos do U.S. Marshals Service. Em janeiro, a Bloomberg noticiou investigação sobre contas digitais do governo, após o investigador on-chain ZachXBT apontar roubo superior a US$ 60 milhões no fim de 2025, incluindo fundos associados a carteiras de apreensão.
Para o mercado, a mensagem é clara: antes de discutir tamanho da reserva ou estratégia de longo prazo, Washington quer reduzir risco operacional. Essa preocupação conversa com a tese de adoção institucional que já apareceu em outras frentes, como quando o Morgan Stanley projetou Bitcoin em balanços de bancos dos EUA.
Reserva não deve receber todo cripto apreendido automaticamente
Witt também esclareceu que a reserva não absorverá automaticamente todos os ativos recém-apreendidos. Criptomoedas ligadas a processos judiciais continuam em status pendente até a conclusão do confisco, e parte desses valores pode ser devolvida a vítimas por meio de restituição.
Na prática, isso separa dois debates: a custódia dos ativos que o governo já controla e a eventual criação de uma política permanente para manter Bitcoin como reserva estratégica. O assessor não revelou quanto BTC ou outros criptoativos o governo possui atualmente.
O avanço acontece em um momento em que o Bitcoin voltou a ganhar força no mercado. Como o CriptoBR mostrou, o BTC passou de US$ 82 mil em meio ao dólar mais fraco e ao rali de altcoins, aumentando a atenção sobre qualquer sinal de demanda institucional ou soberana.
Congresso ainda é peça-chave para dar base legal
Apesar do esforço executivo, a Casa Branca reconhece que a reserva precisará de sustentação legislativa. Witt citou o BITCOIN Act, da senadora Cynthia Lummis, e uma proposta correlata na Câmara como caminhos para codificar a política em lei.
Esse ponto importa porque define o grau de permanência da iniciativa. Sem uma base aprovada pelo Congresso, a reserva pode ficar vulnerável a mudanças políticas, disputas sobre autoridade das agências e questionamentos sobre como ativos apreendidos devem ser tratados.
A discussão também reforça um tema recorrente: segurança de infraestrutura. Recentemente, o CriptoBR relatou que um militar dos EUA operou um nó de Bitcoin em testes de defesa, outro exemplo de como o ativo vem entrando em conversas de soberania, custódia e resiliência.
Para investidores, a atualização prometida pode servir como termômetro político. Se vier com regras claras de custódia, inventário e governança, a reserva tende a fortalecer a narrativa de Bitcoin como ativo estratégico. Se ficar vaga, o mercado pode tratar o anúncio apenas como mais um capítulo de sinalização política.
Hillary Gonçalves cobre regulação cripto no Brasil, movimentações institucionais e adoção de stablecoins em real. Editora no CriptoBR desde 2026, acompanha o impacto das decisões do Banco Central e da CVM no mercado digital brasileiro.





