Warren Buffett, por meio da Berkshire Hathaway, encerrou totalmente sua participação no Nubank, lucrando cerca de US$ 250 milhões com a operação. O movimento, revelado em registro junto à SEC em 15 de maio, marca o fim de uma relação com o banco digital latino-americano que abraçou ativamente o universo cripto — uma área historicamente criticada pelo investidor.
A desmobilização das ações começou em 2024, quando a Berkshire vendeu 20,7 milhões de papéis a um preço médio de US$ 13,46. As vendas continuaram ao longo do ano e se encerraram no primeiro trimestre de 2025, com o último lote negociado a US$ 11,83 por ação.
Apesar da retirada, a Nu Holdings apresentou resultados financeiros robustos. Em 2024, registrou lucro líquido de US$ 1,97 bilhão, avanço de 91% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre de 2025, o lucro atingiu US$ 557,2 milhões, alta de 47% sobre o mesmo período de 2024. Ainda assim, a performance positiva não impediu a saída da Berkshire.
A decisão se insere em uma estratégia mais ampla de redução de exposição ao setor financeiro. No mesmo período, a Berkshire também se desfez de ações do Citigroup e cortou significativamente sua participação no Bank of America, liberando mais de US$ 2,1 bilhões. Com isso, o caixa da companhia atingiu o patamar recorde de US$ 347,8 bilhões, majoritariamente alocado em títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo.
A presença da Berkshire no Nubank desde 2021 representava uma rara aproximação de Buffett com o setor cripto, já que o banco oferece negociação de moedas digitais como Bitcoin e Ether diretamente em seu app. Em 2022, inclusive, o Nubank alocou 1% de seu caixa em Bitcoin, o que ampliou, ainda que indiretamente, a exposição do megainvestidor ao ativo que ele já classificou como “veneno para ratos ao quadrado”.
O desinvestimento reforça a visão conservadora de Buffett diante da nova economia digital, mesmo diante de lucros consistentes por parte das empresas envolvidas.
Co-Owner e consultor de Tokenização na Tokenizem





