A BNB Chain alertou operadores de nós para instalar a versão BSC v1.7.2 antes do hard fork Osaka/Mendel, marcado para 28 de abril. A atualização reúne nove mudanças de protocolo para reforçar estabilidade, impor limite de gás por transação e acelerar a finalidade na rede.
A BNB Chain emitiu um alerta aos operadores de nós para concluir a atualização para BSC v1.7.2 antes da ativação do hard fork Osaka/Mendel, prevista para 28 de abril, às 02h30 UTC. Segundo o comunicado repercutido por veículos do setor, o upgrade será obrigatório para manter os nós sincronizados com a mainnet e evitar falhas de operação durante a transição.
Na prática, a atualização mira a infraestrutura da rede depois do avanço para blocos subsegundo. A proposta inclui nove BEPs, com foco em previsibilidade de execução, limites mais rígidos para transações pesadas e melhorias no mecanismo de finalidade. Para validadores, RPC providers e equipes que rodam nós próprios, o recado é direto: deixar a atualização para a última hora aumenta o risco de perda de sincronização.
Mais detalhes foram compartilhados pelo perfil de desenvolvedores da rede no X:
https://x.com/BNBChainDevs/status/2043192403746570303
O que muda com o Osaka/Mendel
O ponto mais visível do pacote é a BEP-652, que introduz um teto de 16.777.216 gas por transação. A BNB Chain argumenta que um limite em nível de protocolo reduz divergências entre operadores e torna a construção de blocos mais previsível, algo importante em uma rede que hoje opera com blocos muito mais rápidos do que a média das blockchains EVM.
O upgrade também incorpora parte das propostas discutidas no ecossistema Ethereum, mas com adaptação à arquitetura da própria BNB Chain. Além disso, entram mudanças específicas da rede, como a BEP-657, que restringe a inclusão de blob transactions por bloco, e a BEP-648, voltada a reduzir latência e melhorar a finalidade. O objetivo é consolidar desempenho sem sacrificar estabilidade, um tema que já vinha ganhando espaço após a cobertura do site sobre a evolução dos hard forks na BNB Chain.
Em termos práticos, as mudanças podem reduzir gargalos em momentos de uso intenso, dar mais previsibilidade a aplicações DeFi e facilitar o trabalho de desenvolvedores que dependem de ferramentas de baixo nível. A rede também adiciona um método JSON-RPC voltado a melhorar a visibilidade da configuração dos nós, o que tende a ajudar em diagnóstico e manutenção.
Por que isso importa para o mercado
Hard forks obrigatórios costumam ser acompanhados de atenção extra do mercado porque revelam o grau de coordenação de uma blockchain. Se a maioria dos operadores atualizar a tempo, a leitura tende a ser positiva para a maturidade da infraestrutura. Se houver adesão abaixo do esperado, a rede pode enfrentar ruídos operacionais no curto prazo. Esse tipo de ajuste técnico também ajuda a contextualizar movimentos recentes em torno do ecossistema, como a queima trimestral de 1,57 milhão de BNB e a decisão de estender a política de taxa zero para stablecoins.
Para o investidor, a notícia não muda a tese de preço sozinha, mas reforça uma linha importante: a BNB Chain segue ajustando sua base técnica para suportar mais volume com menos atrito. Em um mercado no qual velocidade e custo continuam pesando na escolha de rede, upgrades como o Osaka/Mendel funcionam como teste de execução para a tese de escalabilidade do ecossistema.
O cronograma já passou pela testnet em março e agora entra na reta final para a mainnet. Até 28 de abril, o principal indicador a observar será a adesão dos operadores ao pacote v1.7.2. Se a migração ocorrer sem incidentes, a BNB Chain ganha mais um argumento para sustentar sua disputa por liquidez, usuários e aplicações frente a outras redes compatíveis com EVM.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





