A BNB Chain iniciou em 1º de julho a fase 3 do plano de recuperação de tokens da antiga BNB Beacon Chain. Usuários com ativos BEP2 ou BEP8 elegíveis agora precisam usar uma ferramenta local de autoatendimento para mover os tokens para a BNB Smart Chain.
A BNB Chain iniciou nesta quarta-feira (1º) uma nova fase do processo de recuperação de tokens da antiga BNB Beacon Chain, migrando o fluxo para um modelo de autoatendimento rodado localmente pelo próprio usuário. A mudança afeta quem ainda possui tokens BEP2 ou BEP8 presos na Beacon Chain e precisa levá-los para a BNB Smart Chain (BSC).
Segundo a publicação oficial da BNB Chain, a fase 3 começou em 1º de julho de 2026 e encerra o uso da ferramenta hospedada pela própria rede. A partir de agora, o usuário precisa baixar e executar a ferramenta de recuperação no computador, sem depender de um serviço custodial de terceiros.
O que muda para quem ainda tem tokens BEP2
Na prática, a recuperação passa a exigir mais responsabilidade operacional do usuário. A BNB Chain afirma que a ferramenta local permite consultar tokens elegíveis, gerar uma mensagem de assinatura com a carteira da Beacon Chain, pedir uma aprovação e montar o payload que será enviado ao contrato de recuperação na BSC.
Esse desenho conversa diretamente com o fim gradual da BNB Beacon Chain, que deixou de ser o centro de staking e governança do ecossistema. O CriptoBR já havia acompanhado esse processo quando a Binance anunciou o fim do BEP2 e orientou usuários a converterem seus ativos.
Para usar a nova ferramenta, a BNB Chain lista alguns requisitos: Node.js 24 ou superior, um gerenciador de pacotes como npm, yarn, pnpm ou bun, uma carteira compatível com Beacon Chain, um endereço BSC para receber os tokens e uma pequena quantia de BNB para pagar gas na transação final.
Recuperação exige assinatura e transação na BSC
O fluxo informado pela rede tem quatro etapas principais. Primeiro, o usuário consulta o endereço da Beacon Chain, que começa com “bnb1”, para verificar se há saldo recuperável. Depois, assina uma mensagem com a carteira da Beacon Chain indicando token, valor e endereço BSC de destino.
Em seguida, a ferramenta solicita uma aprovação do servidor da BNB Chain e monta o payload completo. A etapa final não é automática: o próprio usuário precisa chamar a função recover no contrato de recuperação da BNB Smart Chain, usando a mesma carteira BSC informada antes. A BNB Chain indica o contrato 0x0000000000000000000000000000000000003000 e recomenda limite de gas de pelo menos 1.000.000.
Esse ponto é importante porque a ferramenta não transmite a transação sozinha. Ela prepara os dados, mas a execução on-chain continua dependendo da carteira do usuário. Em outras palavras, não é um simples formulário web: é uma recuperação que exige atenção a carteira correta, assinatura, prefixo “0x” nas assinaturas e BNB suficiente para gas.
Autocustódia ganha peso no ecossistema BNB
A mudança chega em um momento em que a BNB Chain tem reforçado narrativas de uso direto da rede, incluindo DeFi, infraestrutura on-chain e ativos tokenizados. Recentemente, o CriptoBR mostrou que a BNB Chain superou US$ 5 bilhões em volume de ações tokenizadas, enquanto aplicações de trading seguem ampliando presença no ecossistema, como no caso da expansão da Maestro para execução on-chain em Base e BNB Chain.
Para usuários comuns, o principal ganho é ter uma rota oficial para recuperar ativos antigos sem entregar chaves privadas ou seed phrase a terceiros. O principal risco, por outro lado, é operacional: baixar ferramentas falsas, usar espelhos não oficiais, assinar em navegador comprometido ou enviar a transação com dados incorretos pode causar perda de tempo, custos de gas e exposição de segurança.
A BNB Chain reforça que usuários devem usar apenas o repositório oficial no GitHub, evitar versões modificadas da ferramenta e nunca compartilhar chave privada ou frase de recuperação. Também recomenda que vulnerabilidades sejam reportadas pela política de segurança do repositório, e não por issues públicas.
Para quem ainda tem saldo elegível na antiga Beacon Chain, a janela agora é menos “clique e recupere” e mais autocustódia de verdade. A boa notícia é que ainda existe caminho oficial; a má notícia é que ele exige cuidado técnico acima do padrão de uma corretora centralizada.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





