O XRP subiu cerca de 8% na semana, enquanto dados on-chain mostram holders com perdas não realizadas em níveis extremos. A leitura chama atenção porque fases de capitulação podem melhorar o risco-retorno, mas Santiment e analistas reforçam que isso não elimina o risco de nova queda se o mercado cripto voltar a enfraquecer.
O XRP avançou cerca de 8% nos últimos sete dias e voltou para a região de US$ 1,14, mesmo com boa parte dos holders ainda no prejuízo. Segundo o CoinDesk, dados on-chain da Santiment mostram que os indicadores de MVRV de 30 e 365 dias estão perto de -45% e -47%, níveis que colocam compradores recentes e investidores de prazo mais longo em uma das zonas de maior dor já registradas para o ativo.
Na prática, o dado sugere que o mercado de XRP atravessa uma fase de capitulação: muitos participantes compraram acima do preço atual e seguem carregando perdas não realizadas. Para traders contrários, esse tipo de leitura pode sinalizar melhora no risco-retorno, porque parte da pressão vendedora costuma se esgotar quando o pessimismo fica concentrado demais.
O que o MVRV mostra sobre o XRP
O MVRV, sigla para market value to realized value, compara o valor de mercado de um ativo com o preço médio pelo qual as moedas foram movimentadas anteriormente. Quando o indicador fica profundamente negativo, ele indica que a carteira média analisada está abaixo do preço de entrada.
A Santiment vem tratando esse tipo de leitura como um sinal de atenção para possíveis reversões, não como garantia de alta. A própria tese depende de um ponto importante: capitulação pode marcar uma zona de oportunidade, mas também pode anteceder novas pernas de baixa se Bitcoin, Ethereum e o restante do mercado perderem força.
Esse cuidado é especialmente relevante porque o XRP já vinha mostrando sinais mistos em junho. Como o CriptoBR mostrou na matéria sobre a alta do XRP após o avanço do Clarity Act, parte da demanda pelo token segue ligada ao cenário regulatório dos EUA e à percepção de menor risco jurídico para ativos ligados a pagamentos.
Alta ainda precisa confirmar força
A recuperação semanal coloca o XRP entre os principais criptoativos com melhor desempenho relativo no curto prazo, mas ainda não muda sozinha a estrutura do mercado. O ativo segue distante de máximas anteriores e depende de continuidade no volume comprador para transformar o repique em tendência.
Outro ponto é que o movimento ocorre em um mercado que ainda tenta digerir saídas recentes de produtos institucionais, volatilidade macro e queda no apetite por risco. O mesmo pano de fundo apareceu em Bitcoin, onde os ETFs voltaram a captar após uma sequência de saques, mas ainda precisam provar que a entrada de capital não foi apenas um alívio pontual.
Para investidores brasileiros, a leitura é menos sobre “comprar fundo” e mais sobre entender a assimetria. Quando o MVRV fica tão negativo, o mercado passa a mostrar que muitos vendedores potenciais já estão no prejuízo. Isso pode reduzir a intensidade de novas liquidações, mas não impede quedas adicionais em caso de choque externo.
Ripple, tokenização e apetite institucional
O pano de fundo fundamental do XRP também passa por Ripple, pagamentos internacionais e tokenização. A rede continuou recebendo atenção de players institucionais ao longo dos últimos meses, inclusive em discussões sobre stablecoins, liquidação de ativos e infraestrutura para mercados tradicionais.
Como o CriptoBR acompanhou na cobertura sobre Ondo, JPMorgan e Ripple em liquidação de Treasuries no XRPL, a tese de uso institucional segue viva, mas ainda precisa se traduzir em demanda sustentável pelo token. É justamente essa diferença entre narrativa e fluxo real que tende a separar repiques técnicos de ciclos de alta mais fortes.
Por enquanto, a leitura mais equilibrada é que o XRP entrou em uma zona on-chain historicamente sensível. O dado favorece uma observação mais próxima do ativo, mas não substitui gestão de risco: sem melhora do mercado amplo e sem continuidade nos fluxos, o sinal de capitulação pode demorar a virar recuperação consistente.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





