O Bitcoin atingiu um novo recorde de US$ 109.400 em 21 de maio, impulsionado pelo alívio das tensões comerciais entre Estados Unidos e China. O avanço, superior a 26% no mês, ocorreu nove dias após o anúncio de um acordo de 90 dias que suspendeu parcialmente tarifas de importação, reduzindo a incerteza macroeconômica e favorecendo o apetite por risco.
Analistas apontam que a trégua eliminou o temor de uma escalada abrupta nas disputas comerciais, favorecendo tanto mercados tradicionais quanto criptomoedas. Aurelie Barthere, da Nansen, destacou que o tom cooperativo entre as potências estimulou os investidores.
Em abril, a cotação do Bitcoin havia recuado para US$ 74.434, após o então presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar tarifas recíprocas que derrubaram o S&P 500 em mais de US$ 5 trilhões. A recuperação começou após o chamado “Dia da Libertação de Trump”, quando os mercados interpretaram a crise como superada.
Para Jag Kooner, da Bitfinex, a combinação de desescalada geopolítica, perspectiva regulatória mais favorável e liquidez abundante criou uma “configuração quase perfeita” para o avanço do Bitcoin. Ele destacou que, ao contrário do padrão usual, a diminuição do risco global não gerou fuga da criptomoeda, mas, sim, impulsionou a migração de capital para ativos de risco como BTC e ações de tecnologia.
A recente valorização, segundo Kooner, reflete a evolução do Bitcoin como ativo de alta convicção em momentos de estabilidade macroeconômica, deixando de ser apenas um instrumento de proteção. Ele projeta que, mantidas taxas de financiamento neutras e estabilidade no mercado, a criptomoeda pode atingir entre US$ 114 mil e US$ 120 mil, impulsionada por novos catalisadores macroeconômicos ou regulatórios.
Outros analistas acreditam que a cotação pode superar US$ 130 mil ainda em 2025, sustentada pela correlação com a expansão da oferta monetária global.