O Bitcoin recuou para US$ 69.393 na manhã desta quinta-feira (12), eliminando os ganhos do rali de alívio da véspera após ataques a dois petroleiros em águas iraquianas enviarem o petróleo Brent de volta para acima de US$ 100 o barril.
A queda interrompeu uma breve recuperação: o BTC havia tocado US$ 71.230 na noite de quarta-feira antes das manchetes sobre os ataques. Em questão de horas, perdeu quase US$ 2.000 de valor — marcando a terceira vez em duas semanas que o Bitcoin ultrapassa US$ 71.000 apenas para ser derrubado por uma escalada no conflito no Oriente Médio.
Petróleo dispara 10% e arrasta mercados globais
O Brent subiu até 10,5% na sessão asiática, impulsionado pela combinação dos ataques aos petroleiros, evacuação do porto de Mina Al Fahal em Omã, hostilidades contínuas no Golfo Pérsico e crescentes dúvidas sobre se a liberação de reservas proposta pela IEA será suficiente para compensar a interrupção no fornecimento.
O índice MSCI Asia Pacific caiu 1,8%, com o setor de energia sendo o único no verde. A sessão aprofundou as perdas sem sinais de estabilização.
Mercado cripto acompanha a queda
O restante do mercado cripto seguiu o Bitcoin:
- Ethereum (ETH): US$ 2.025 (-0,5% no dia, -4,5% na semana)
- Solana (SOL): US$ 85 (-1,5% no dia, -5,7% na semana — pior performance entre as majors)
- XRP: US$ 1,37 (-0,8%)
- Dogecoin (DOGE): US$ 0,092 (-0,8%, devolvendo ganhos de terça)
- BNB: estável em US$ 642
O padrão que se repete
O comportamento das últimas duas semanas é consistente: manchetes positivas empurram o Bitcoin para a faixa de US$ 71.000-74.000. Manchetes negativas o arrastam de volta para US$ 66.000-68.000. O resultado líquido é praticamente zero — exatamente o que os dados on-chain vinham sugerindo.
A demanda aparente permanece profundamente negativa, em -30.800 BTC numa base de 30 dias, segundo a CryptoQuant. O indicador bull-bear da plataforma segue em território de baixa, enquanto o supply em prejuízo continua subindo. Cada bounce está sendo vendido por holders buscando saída.
O que vem pela frente
Trump declarou no início da semana que a guerra seria resolvida “muito em breve” e que os objetivos militares estavam “praticamente completos”. Porém, o cronograma segue incerto, o Irã continua atacando alvos na região e o Estreito de Ormuz permanece interrompido.
Com a reunião do Fed marcada para 17-18 de março — daqui a cinco dias — e o petróleo de volta acima de US$ 100, o cenário de estagflação fica mais difícil de ignorar, tornando cortes de juros ainda mais distantes.
Para o mercado cripto, a equação é simples: enquanto o conflito no Oriente Médio não se resolver de forma convincente, o Bitcoin permanece refém da geopolítica — e cada tentativa de rali pode ser a próxima a ser rejeitada.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





