Hunter Horsley, CEO da gestora de criptoativos Bitwise, afirmou que o Bitcoin tem potencial para disputar espaço com os títulos do Tesouro dos EUA como reserva de valor. Segundo ele, o mercado-alvo da criptomoeda vai além do ouro — estimado em US$ 16 trilhões — e alcança os US$ 30 trilhões aplicados em Treasuries por investidores e instituições que buscam proteção financeira.
A declaração foi uma resposta a um alerta do economista Mohamed El-Erian, que sugeriu aos analistas abandonar os títulos como principal indicador de fuga para segurança e observar os fluxos para ativos como ouro e prata. Horsley amplia esse olhar, apontando o Bitcoin como alternativa viável de poupança em meio à erosão das moedas fiduciárias.
Com características similares ao ouro, o Bitcoin vem ganhando espaço entre investidores que buscam proteção contra instabilidade econômica, tensões geopolíticas e políticas fiscais consideradas insustentáveis. O aumento da dívida pública americana e os gastos previstos com o novo pacote fiscal do governo Trump — estimado em até US$ 2,5 trilhões — reforçam esse movimento.
A liquidação recente no mercado de Treasuries, impulsionada pela desconfiança dos investidores diante da política fiscal dos EUA, elevou os rendimentos dos títulos e expôs o risco crescente de financiar o governo. Em meio a esse cenário, o Bitcoin se consolida como ativo não correlacionado, com crescente apelo como proteção patrimonial de longo prazo.
Para Saifedean Ammous, autor de The Bitcoin Standard, a deterioração fiscal americana pode acelerar ainda mais essa migração. Ele afirma que o plano econômico atual não oferece segurança e que será necessário um ajuste sério para recuperar a confiança do mercado.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





