A Binance está comemorando sete anos de existência neste mês de julho, mantendo uma liderança global folgada entre as exchanges de criptomoedas – liderança que começou já com seis meses de operação, em 2017. Em meio à festança, também recebeu a notícia, na semana passada, de que a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) pretende encerrar a investigação contra a Paxos, que iniciou ao alegar que a stablecoin da corretora, a BUSD, era um valor mobiliário sem registro, violando as leis do país.
Mas, a estrada de sete anos teve seus chacoalhões que foram além do sobe e desce do preço do bitcoin. Um exemplo: em relação à BUSD, a cripto começou a ser queimada com a investigação. Mas, o sobressalto mais evidente é o da prisão do cofundador e ex-CEO, Changpeng Zhao, o CZ. O executivo cumpre pena por descumprir leis nos EUA, basicamente as relacionadas à facilitação de lavagem de dinheiro. Mas, admitiu culpa e pegou apenas quatro meses de detenção, ou seja, pode estar fora da cadeia da Califórnia no início de outubro.
Esse assunto – facilitação de lavagem de dinheiro – costuma permear conversas sobre a empresa, com muitos dizendo – abertamente ou não – que isso explica boa parte de seu volume diário de operações. Ao mesmo tempo, há muitos clientes que se dizem satisfeitos os serviços, mesmo que não sejam perfeitos – até porque, boa usabilidade não é o forte do mundo cripto. Além disso, a empresa foi além da corretora e criou um ecossistema de produtos e serviços.
Richard Teng, que assumiu como CEO da Binance em novembro passado, quando CZ assumiu a culpa, topou o pagamento de uma multa corporativa de US$ 4,3 bilhões e o compromisso de deixar o cargo, disse em comunicado, nesta sexta-feira (12), que a Binance “resistiu a múltiplas crises e aprendeu muitas lições importantes de maneira difícil”. É um mea culpa em nome da empresa que vem repetindo, como que indicando que agora, os tempos são outros.
Para tentar provar isso, divulgou o número de respostas a pedidos de autoridades em casos de investigações e acusações de casos criminais – não necessariamente contra a exchange, mas envolvendo valores que passaram pela empresa e os que podem ter afetado clientes de alguma forma. Teng disse que de junho de 2023 a maio de 2024, a Binance respondeu a 62,8 mil pedidos, o que elevou o número total para 173,800. Numa conta simples, isso significa que a cada dia desde sua fundação, ou seja, 2.555 dias, a Binance respondeu em média a 68 pedidos.
Teng lembrou, num comunicado recente, que se em seis meses a Binance se tornou líder global em volume de negociações, levou ainda três anos e quatro meses para chegar a 50 milhões de usuários registrados. Depois, em dois anos e um mês, ou seja, em junho de 2023, atingiu 150 milhões. E em junho deste ano, chegou a 200 milhões. Agora, já diz que são 210 milhões em cerca de 100 países. Entre licenças e registros, está em 18 mercados. Aqui, opera como exchange estrangeira.
“Mais usuários significam mais fundos sob custódia da Binance, e no início deste ano, o valor dos fundos dos nossos usuários ultrapassou US$ 100 bilhões pela primeira vez. Como sempre, os fundos dos usuários estão em SAFU (o Fundo Seguro de Ativos para Usuários) e mantidos de forma transparente em uma proporção de 1:1″, afirmou. No início deste ano, a Binance converteu os valores do SAFU para a stablecoin USDC. O valor do fundo é de cerca de US$ 1 bilhão.
De acordo com Teng, a empresa atingiu o recorde histórico de 2,58 milhões de Consultas por Segundo (QPS) em toda a plataforma da Binance. “Esse valor mostra que a Binance é capaz de processar tranquilamente uma carga muito significativa quando os usuários mais precisam”.
Segundo ele, “um dos principais impulsionadores da popularização dos ativos digitais ao longo do ciclo de mercado atual tem sido o aumento da participação institucional”. E isso se refletiu num crescimento de 36% no número de usuários registrados de janeiro a junho de 2024.
Para Teng, o oitavo ano de operação da Binance que está começando deverá contar com a institucionalização e maiores definições regulatórias, o que “atrairá mais investidores em grande escala e mais capital para o setor. O lado varejista da equação permanecerá igualmente importante, à medida que a adoção continuará se expandindo, atraindo mais novos usuários de novas geografias e demografias”.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





