A gestora americana Bernstein publicou uma nova análise sobre o mercado de Bitcoin e afirmou que o tradicional ciclo de quatro anos, baseado no halving, já não descreve mais o comportamento atual da criptomoeda. Para a empresa, a dinâmica de oferta e demanda mudou com a entrada de investidores institucionais, tornando o movimento de preço mais longo e menos dependente dos padrões históricos.
A projeção da Bernstein indica que o Bitcoin pode alcançar US$ 150.000 em 2026, avançar até US$ 200.000 em 2027 e chegar a US$ 1 milhão em 2033, reforçando a tese de um ciclo de alta estendido. Segundo a gestora, a queda recente de aproximadamente 30% não abalou o apetite institucional, já que os ETFs registraram saídas inferiores a 5%, sugerindo que o varejo foi o principal responsável pela pressão vendedora.
O relatório também se alinha a análises de outras grandes casas, como a Grayscale, que avaliou a correção como parte natural do mercado, e não como sinal de reversão definitiva. A teoria dos ciclos de quatro anos, que guiou previsões desde 2013 e ganhou popularidade nas redes sociais, segue sendo defendida por parte dos investidores, especialmente após o topo histórico registrado no exato dia 6 de outubro de 2025, conforme antecipado por alguns modelos.
Apesar disso, especialistas como Arthur Hayes e PlanB já haviam demonstrado ceticismo em relação ao padrão. Hayes aponta que variáveis macroeconômicas ligadas à política monetária americana tendem a dominar o comportamento do Bitcoin daqui para frente. PlanB reforça que apenas três ciclos completos são insuficientes para determinar uma regra estatística sólida.
Para a Bernstein, o fator decisivo é a maturidade do mercado. A presença de produtos regulados, maior aceitação corporativa e oferta limitada mantêm o Bitcoin dentro de uma tese estrutural de valorização, reduzindo sua dependência de eventos programados como o halving. A gestora acredita que o fluxo institucional sustentará novos patamares de preço, mesmo em meio a correções intensas.
Perspectiva estratégica pelo nosso especialista em crescimento de comunidade
Segundo nosso especialista, o debate sobre o “fim do ciclo de quatro anos” revela uma mudança cultural importante no ecossistema cripto. Ele afirma que, conforme grandes instituições entram no mercado, a narrativa deixa de ser guiada apenas por memes e expectativas virais e passa a se apoiar em fundamentos de liquidez, regulação e demanda global.
A estratégia recomendada para comunidades é clara: aproximar o público das leituras macroeconômicas, estimular conteúdos que expliquem a transição entre mercado varejista e institucional e construir segurança narrativa em torno do Bitcoin como ativo de longo prazo. O especialista defende que comunidades fortes se formam não apenas com entusiasmo, mas com compreensão.
As previsões da Bernstein reforçam a visão de que o Bitcoin está entrando em uma nova fase, menos cíclica e mais estruturada. A tese de valorização permanece viva, mas agora depende de fatores mais complexos e de uma base de investidores mais robusta. Se o cenário projetado se confirmar, o mercado pode estar diante do ciclo mais longo e significativo da história do BTC.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





