O Banco Central (BC) assegurou que apesar dos obstáculos que está enfrentando para criar a plataforma do Drex, o projeto vai seguir. “A gente não vai parar de caminhar”, disse o coordenador da iniciativa no BC, Fabio Araujo, durante o Web Summit, semana passada. A maior dificuldade hoje é ligada a privacidade das informações das transações, o que está afetando o ritmo dos trabalhos. No segundo semestre, começa a fase de amadurecimento da gestão dos contratos inteligentes das instituições financeiras do piloto na plataforma.
Essa dificuldade da privacidade é algo que o BC e o ecossistema sempre souberam que seria bastante complexa, já que a blockchain escolhida para o piloto é pública, a Hyperledger Besu. Aliás, se o Brasil conseguisse achar uma solução rapidamente, seria um sucesso global. Como muita gente quer que o Drex saia o quanto antes, mas há fases para isso e prazos já foram revistos, seguem o que se sabe hoje sobre as próximas fases:
Teste de privacidade
O fim da primeira fase dos testes de privacidade está prevista para maio, mas não prontas para irem para produção. Como disse Araujo, “a atividade bancária é uma atividade de informação”. Isso abrange muitas delas, de dados pessoais, dos ativos, das transações a dados dos bancos. Além disso, no Brasil existe a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que tenta garantir privacidade.
O piloto decidiu testar três soluções e essa fase começou em outubro passado. Primeiro testou-se o Anonymous Zether, uma solução de pagamentos em que as transferências de valores são privadas, assim como as identidades de quem está fazendo as transações, entre contas Zether nos contratos inteligentes. Esse passo teve uma adaptação mais rápida para o BC e os outros mantenedores do projeto.
Outra solução de privacidade testada foi a Starlight, que a EY criou usando o protocolo Zero Knowledge Proof (ZKP). Esse protocolo é conhecido no universo das criptomoedas. Nesse caso, quem fornece uma informação pode provar a quem verifica que um dado é verdadeiro, mas sem revelar totalmente a informação. Seria como a Receita Federal provar para um empresa que o CFP é do novo cliente, mas sem dar todos os dados.
A partir daí, a adaptação do BC e seus parceiros do governo no projeto Drex exigiu um esforço muito grande das equipes. Isso é um dos fatores para uma percepção atual das instituições financeiras e de criptos sobre o ritmo de avanço do projeto Drex. De acordo com alguns dos participantes, o ritmo está mais lento em 2024 do que no ano passado, segundo disseram ao Blocknews.
A terceira solução a ser testada é a da Parfin, startup que criou uma blockchain e vende serviços ligados a tokenização e criptos para o setor financeiro, e ela mesma uma participante do piloto.
Um relatório das conclusões dos testes nessa fase do piloto vai sair na sequência.
Gestão de smart contracts
O trabalho ligado a privacidade continua para amadurecimento depois de finalizados esses primeiros testes, mas em paralelo, o projeto Drex prevê também o avanço das soluções de gestão dos contratos inteligentes (smart contracts). Isso será no segundo semestre e inclui ampliar a discussão sobre os casos de uso de caso da plataforma com os parceiros do piloto.
Na primeira fase, os smart contracts foram desenvolvidos para a infraestrutura do Drex, portanto de responsabilidade do Banco Central. “Mas, o BC só vai oferecer a plataforma, os serviços serão oferecidos pelos participantes do mercado. Então, a gente tem que amadurecer essa governança dos smart contracts de uso ativo na plataforma.
Agora, quando a plataforma entra em produção, não se sabe. Já houve a data de lançamento do primeiro caso de uso entre final de dezembeo de 2024 e início de 2025. Mas sobre isso, não se fala mais. E os participantes do piloto também afirmam que pelo ritmo atual, o lançamento deve ser mesmo em 2025.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





