O Banco Central do Canadá decidiu mudar o foco de seus estudos sobre sua moeda digital (CBDC) de varejo para uma “pesquisa mais ampla do sistema de pagamentos e desenvolvimento de políticas” nesse segmento. Com isso, a ideia do dólar canadense digital perde força frente ao que o BC do país chama de “questões de pagamentos ganhando destaque” e que impactarão o cenário do país nessa área.
De acordo com o comunicado do banco, a decisão tem relação com o fato de o mandato do BC canadense de supervisionar os prestadores de serviços de pagamento varejista entrar em vigor neste ano. Além disso, “o trabalho do Payments Canada oo Real-time Rail (sistema de pagamentos instantâneo) continua”. Isso inclui supervisão de pagamentos, desenvolvimento de políticas relacionadas à infraestrutura de pagamentos atacadistas e varejistas e políticas de pagamentos transfronteiriços em colaboração com parceiros da instituição.
“O Banco continuará a monitorar os desenvolvimentos globais de CBDC varejista e a publicar algumas pesquisas relacionadas. Mas, o foco será na preparação para a evolução dos pagamentos tanto no Canadá quanto em todo o mundo, por meio de pesquisa e análise de políticas”, completou.
No caso do Brasil, como o Pix é a solução de pagamentos instantâneo, o Banco Central daqui não viu vantagem numa CBDC de varejo. O foco passou então para uma CBDC de atacado para transações entre as instituições financeiras na plataforma Drex. O plano é haver uma conexão entre a CBDC Drex de atacado e os tokens de depósitos à vista nos bancos, que seriam os usados pelo consumidores.
Segundo o BC do Canadá, o conhecimento acumulado até agora com os estudos sobre o dólar canadense digital poderão contribuir para criar a moeda, se e quando os canadenses, “por meio de seus representantes eleitos”, decidirem que querem essa versão da moeda local. Entre os trabalhos já feitos estão:
- Pesquisa sobre soluções de tecnologia de moeda digital, design de ecossistema e modelos de distribuição.
- Pesquisa sobre características-chave de um dólar canadense digital, incluindo os benefícios e desafios de um dólar digital offline.
- Análise dos impactos do sistema financeiro da introdução de um dólar canadense digital.
- Identificação de lacunas importantes do mercado, necessidades e preferências dos usuários e potencial adoção de um dólar digital por meio de pesquisa e extensas consultas públicas e de partes interessadas.
- Análise dos requisitos do marco regulatório e legal, incluindo para privacidade e prevenção do crime financeiro, que seriam necessários caso um dólar canadense digital seja necessário no futuro.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





