A próxima versão do software Bitcoin Core, prevista para 30 de outubro, aumentará o limite de dados da função OP_RETURN, permitindo armazenar até 4 megabytes por transação. A medida elimina a atual restrição de 80 bytes, segundo a desenvolvedora Gloria Zhao, em publicação no GitHub.
A mudança, formalizada pela proposta MPR #32406 e respaldada por 31 desenvolvedores, amplia o potencial da blockchain para uso além de transações financeiras. Com isso, documentos, imagens e outros dados poderão ser registrados diretamente na rede, intensificando aplicações como os Ordinals, que geraram polêmica ao permitir conteúdos como NFTs e arquivos históricos.
Apesar do apoio técnico, parte da comunidade reage com forte oposição. Críticos argumentam que a atualização compromete a eficiência da rede ao inserir dados que consideram irrelevantes. Alexander Lin, da Reforge, classificou a decisão como um risco à natureza monetária do Bitcoin. Dennis Porter, do Satoshi Action Fund, afirmou ter perdido a confiança no desenvolvimento do protocolo.
Em resposta, Zhao destacou que o Bitcoin Core não deve impor restrições sobre como a blockchain é usada, defendendo uma postura neutra e aberta ao uso livre da rede por seus participantes.
A controvérsia já impacta a estrutura da rede. A participação de mercado do cliente Bitcoin Core caiu de 98% para 88% desde a proposta, enquanto o Bitcoin Knots passou a ocupar mais de 11%, segundo dados do Coin.Dance.
A decisão reacende o debate sobre o papel do Bitcoin: uma rede exclusivamente financeira ou uma plataforma de dados descentralizada. Analistas como Matthew Kratter alertam que a mudança pode reduzir a dominância do Bitcoin Core nos próximos anos.
