Um ataque aéreo dos Estados Unidos ao Irã, realizado na madrugada do último domingo (22), pode ter repercutido diretamente na rede global de mineração de Bitcoin. Segundo dados do site Mempool.space, o poder computacional da rede (hash rate) caiu cerca de 30% no mesmo período, levantando questionamentos sobre a possível interrupção de atividades de mineração em território iraniano.
O alvo da ofensiva militar foram três instalações nucleares, em uma ação que faz parte da chamada “Operação da Meia-Noite”. Especialistas e membros da comunidade cripto passaram a especular se o Irã estaria utilizando energia nuclear para operar ASICs, equipamentos de mineração de alta performance, como forma de driblar sanções internacionais e financiar atividades estatais.
Apesar das dúvidas, analistas alertam que os dados de hash rate são estimativas baseadas no intervalo de tempo entre blocos minerados. Desde o último ajuste de dificuldade, em 13 de junho, o tempo médio para a validação de blocos está acima dos 10 minutos ideais, chegando a 10,8 minutos — o que reforça a hipótese de queda na capacidade de processamento da rede.
O Irã, que enfrenta sanções impostas por EUA e União Europeia, já foi apontado em estudo da empresa Elliptic como responsável por cerca de 4,5% da mineração global de Bitcoin em 2021. Fontes indicam que o país segue utilizando criptomoedas como alternativa ao sistema financeiro tradicional.
Além disso, informações recentes sugerem que a Guarda Revolucionária Iraniana estaria operando mineração ilegal, agravando os problemas energéticos internos, como apagões. O episódio se soma à invasão de hackers supostamente ligados a Israel, que na semana anterior roubaram R$ 450 milhões em criptoativos da Nobitex, maior corretora iraniana.
Ainda assim, há vozes que discordam da conexão direta entre o ataque e a queda no hash rate. Daniel Batten, analista do setor, aponta que o recuo pode ter origem em mineradoras dos EUA, especialmente no Texas, que frequentemente desligam seus equipamentos em momentos de alta demanda por energia elétrica, como em ondas de calor.
Embora a hipótese iraniana não possa ser descartada, o episódio reacende o debate sobre a crescente intersecção entre geopolítica, criptomoedas e infraestrutura digital descentralizada.
