Arthur Hayes, fundador da BitMEX, publicou uma análise detalhada sobre o mercado de stablecoins e as possibilidades de lucro nesse setor. O texto, divulgado nesta terça-feira (17), ocorre após a abertura de capital da Circle, emissora da USDC, cujas ações subiram 400% na primeira semana.
Hayes recomenda cautela, mas não despreza o potencial da Circle. Apesar de considerar os papéis sobrevalorizados e lembrar que parte da receita líquida da empresa vai para a Coinbase, ele alerta: apostar contra a Circle seria um erro. Para ele, mesmo com desequilíbrios entre as empresas, manter ações da Circle ou da própria Coinbase pode ser uma estratégia válida durante o que chama de “mania das stablecoins”.
O investidor também mantém posição em Ethena, emissora da stablecoin USDe, cujo modelo de negócios se baseia em operações mais sofisticadas que a simples compra de títulos públicos.
Hayes vê limites na entrada de bancos tradicionais no setor. Segundo ele, instituições como JP Morgan e Bank of America enfrentam restrições regulatórias em suas operações globais, o que dificulta uma adoção ampla de stablecoins. Ele compara o modelo enxuto da Tether, com cerca de 100 funcionários, à estrutura pesada de bancos como o JP Morgan, que emprega mais de 300 mil pessoas.
Na visão do bilionário, apenas três modelos de negócios geram lucro consistente no setor cripto: mineradoras, corretoras e emissoras de stablecoins. A Tether, por exemplo, teria lucrado ao menos US$ 5,9 bilhões em 2025. Hayes alerta que novas empresas tentarão replicar o sucesso da Tether e da Circle, mas sem espaço real de crescimento.
Segundo ele, muitas dessas iniciativas serão impulsionadas por marketing agressivo e promessas de inovação, mas com pouca chance de competição real. “Negocie essas empresas como se fossem batatas quentes”, ironiza.
Hayes conclui que uma regulamentação mais flexível pode abrir espaço para o retorno de modelos arriscados, como as stablecoins algorítmicas, que já causaram prejuízos bilionários no passado, como no caso da LUNA. Para ele, a consolidação do setor está em curso, e apenas poucos emissores devem sobreviver à disputa.