As ações do Méliuz encerraram a semana em R$ 3,67 na B3 e retornaram ao mesmo nível de março, apagando toda a valorização acumulada desde o anúncio da chamada “Estratégia Bitcoin”. A queda acompanha o recuo de aproximadamente 35% no preço do Bitcoin nas últimas semanas.
O movimento marcou uma reversão completa no desempenho da CASH3. Após a adoção da política de tesouraria em cripto, em março, as ações chegaram a subir 181% e atingiram R$ 10,55 em maio. A partir de outubro, a correção do mercado de criptomoedas derrubou o preço da ação de volta ao ponto inicial.
A estratégia começou com a primeira compra de Bitcoin realizada em 6 de março de 2025. Na ocasião, a empresa investiu US$ 4,1 milhões na aquisição de 45,72 BTC com preço médio de US$ 90.200. O plano previa a alocação de até 10% do caixa no ativo digital, tornando o Méliuz a primeira empresa brasileira listada em bolsa a adotar Bitcoin como política formal de tesouraria.
A correlação entre o desempenho da companhia e o mercado cripto se intensificou ao longo do ano. A valorização do Bitcoin impulsionou as ações durante a fase de alta e a recente correção anulou os ganhos. A trajetória seguiu o padrão observado em outras empresas expostas ao ativo, como Strategy e MetaPlanet, que também sofreram com a volatilidade do mercado digital.
Apesar da queda na bolsa, o Méliuz apresentou fundamentos operacionais positivos no terceiro trimestre. A empresa registrou lucro líquido de R$ 15,3 milhões, crescimento de 12% em relação ao ano anterior, além de receita recorde de R$ 123,7 milhões. A base de usuários atingiu 45 milhões de contas e a companhia manteve uma capitalização de mercado superior ao valor de sua reserva em Bitcoin.
Dados do Bitcoin Treasuries indicam que a empresa mantém 604,7 BTC avaliados em cerca de US$ 51 milhões. O preço médio de aquisição está em US$ 103.313 por unidade, o que gera um prejuízo não realizado de 18,2%. O indicador mNAV mostra que a companhia negocia com prêmio de aproximadamente 21% sobre o valor de suas reservas, sugerindo que o mercado ainda atribui valor ao negócio além do caixa em criptoativos.
Para especialistas em crescimento de comunidades, o caso do Méliuz evidencia um ponto importante sobre empresas expostas ao Bitcoin. A volatilidade pode atrair atenção no curto prazo, mas a construção de confiança com investidores depende de comunicação consistente e educação financeira. O engajamento com o público é visto como ferramenta essencial para transformar oscilações do mercado em oportunidade de retenção e amadurecimento da base acionária.
A queda das ações ao patamar original funciona como alerta. A estratégia trouxe visibilidade e, em determinados momentos, ganhos expressivos, mas também revelou a dependência direta do preço do Bitcoin. A conclusão é que a presença de criptoativos em tesourarias corporativas pode amplificar resultados positivos, porém também intensifica riscos para o retorno do acionista. O desempenho futuro dependerá menos do entusiasmo do mercado e mais da capacidade da empresa de equilibrar inovação financeira com fundamentos sólidos.
