A World, anteriormente conhecida como Worldcoin, teve suas atividades suspensas na Indonésia após uma decisão das autoridades locais, que alegam possíveis “violações graves” das regulamentações do país. O projeto, liderado por Sam Altman — CEO da OpenAI, criadora do ChatGPT —, recompensa usuários com o token WLD em troca do escaneamento de dados biométricos, especialmente da íris, por meio de um dispositivo chamado Orb.
Segundo Alexander Sabar, Diretor-Geral de Supervisão do Espaço Digital, a suspensão tem caráter preventivo, motivada por relatos de “atividade suspeita”. A decisão busca evitar potenciais riscos à população e preservar a integridade do ecossistema digital do país.
De acordo com o anúncio oficial, a subsidiária local que opera a World na Indonésia, PT Terang Bulan Abadi, não possui o registro necessário como Organizadora de Sistema Eletrônico (PSE), o que a impede de legalmente operar no país. Além disso, a empresa teria utilizado indevidamente o certificado de registro (TDPSE) pertencente a outra entidade legal, a PT Sandina Abadi Nusantara. Ambas foram convocadas pelas autoridades para prestar esclarecimentos.
“A não conformidade com as obrigações de registro e o uso da identidade de outra entidade legal para oferecer serviços digitais é uma violação grave”, declarou Sabar. Ele ainda reforçou o papel do público na construção de um ambiente digital mais seguro e confiável.
Expansão da World encontra resistência global
Esta não é a primeira vez que o projeto enfrenta resistência regulatória. No Brasil, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já havia proibido a distribuição de tokens WLD ou qualquer outra forma de compensação, mantendo a atuação da empresa limitada a atividades “educacionais”. Em São Paulo, uma CPI foi aprovada para investigar a Tools for Humanity (TFH), organização por trás da World. A vereadora Janaina Paschoal (PP), autora do pedido, destacou que os dados dos brasileiros foram enviados ao exterior, o que preocupa autoridades.
Em entrevista recente, Astrid Vasconcellos, diretora da TFH, afirmou que a empresa não compra íris nem armazena dados, e que pretende mudar a percepção pública e regulatória sobre o projeto.
Na Europa, os reguladores alemães exigiram a adoção de um protocolo de exclusão de dados conforme o GDPR (regulamento europeu de proteção de dados). Já no Quênia, a World foi banida por quase um ano após críticas severas de políticos locais, que chegaram a rotular a empresa como “uma quadrilha de criminosos”. As operações no país foram retomadas apenas em junho de 2024.
Apesar dos desafios, a World segue expandindo. Recentemente, lançou seu serviço em seis cidades americanas — Atlanta, Austin, Los Angeles, Miami, Nashville e São Francisco — e firmou novas integrações, incluindo parcerias com o Match Group (dono do Tinder), a plataforma Kalshi e serviços de pagamento com cartão Visa.





