O Bitcoin atingiu nesta quarta-feira (4) a marca histórica de US$ 100 mil, alcançando brevemente US$ 104 mil no dia nesta quinta-feira (5). Esse desempenho, representando uma valorização de 126% em relação aos US$ 44 mil de janeiro, reflete o amadurecimento do conhecimento do mercado sobre o ativo com a convergência de fatores estruturais, como a adoção institucional, a entrada maciça de capital via ETFs de bitcoin e a euforia do mercado após a reeleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos (EUA).
O interesse institucional continua sendo o principal motor desse crescimento. A MicroStrategy, já consolidada como a maior detentora corporativa de bitcoin, adquiriu recentemente mais 15.400 BTC, investindo US$ 1,5 bilhão. Agora detém um total de 402.100 BTC, avaliados em mais de US$ 40 bilhões. O movimento não está isolado: empresas como a Acurx Pharmaceuticals também decidiram alocar parte de sua tesouraria em bitcoin, citando a oferta limitada e a proteção contra a inflação como razões estratégicas.
Outro fator determinante foi o avanço dos ETFs de bitcoin spot, que facilitaram o acesso de investidores ao ativo. Em novembro, esses veículos atraíram US$ 6,1 bilhões em novos aportes, sendo US$ 5,4 bilhões apenas do iShares Bitcoin Trust, da BlackRock. A aprovação dos ETFs nos EUA criou uma nova ponte entre investidores tradicionais e o mercado de criptomoedas, solidificando o bitcoin como uma classe de ativo legítima.
Instituições como Goldman Sachs e Banco do Brasil também entraram no jogo, consolidando essa narrativa. No BB, é possível investir em bitcoin a partir do fundo multimercado Cripto Full e também há um fundo multimercado com exposição. A maior parte dos grandes bancos no Brasil já oferece produtos com exposição ao ativo.
A dinâmica de oferta também desempenhou seu papel. O halving de abril, que reduziu a recompensa por mineração, comprimiu a oferta disponível, um efeito clássico que historicamente impulsiona os preços. Apenas no último mês, o bitcoin acumulou uma valorização de 38% em reais, alimentado pela crescente demanda e pela redução na disponibilidade do ativo.
Curiosamente, o cenário político deu um toque adicional à narrativa. A reeleição de Trump, com sua postura pró-cripto, trouxe mais entusiasmo ao setor e a sua nomeação de Paul Atkins, um defensor das criptomoedas, na presidência da Comissão de Valores Mobiliários (SEC), gerou especulações de um ambiente regulatório mais amigável.
Trump ainda propôs a criação de uma reserva nacional de bitcoin, alimentando o debate sobre o papel estratégico da criptomoeda na economia norte-americana. Para completar, recentemente a presidência do Federal Reserve, o banco central dos EUA, comparou o bitcoin ao ouro digital.
O rali elevou a capitalização de mercado do bitcoin para mais de $2 trilhões pela primeira vez, consolidando-o como um dos ativos mais valiosos do mundo. Apesar de impressionante, o crescimento de 2024 não é o mais emocionante da história. Em 2017, o bitcoin no Brasil registrou uma alta de cerca de 1.900%, e durante a pandemia de COVID-19, superou uma valorização de 650%.
Desde o whitepaper de Satoshi Nakamoto em 2008, o bitcoin deixou de ser uma curiosidade digital para se tornar um ativo globalmente relevante. A marca de US$ 100 mil não é apenas um número simbólico, mas um testemunho de sua consolidação como um pilar da nova economia digital. Para aqueles que já duvidaram de sua resiliência, essa nova etapa reafirma o potencial transformador do bitcoin no mundo financeiro.
*Luiz Calado foi presidente da Abcripto e CEO de exchange de criptomoedas.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





