O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na última sexta-feira (27) que o Bitcoin está ajudando a aliviar a pressão sobre o dólar americano. Em coletiva na Casa Branca, o presidente destacou o impacto crescente das criptomoedas na economia e reconheceu que o setor se tornou uma peça importante da competitividade global.
“Vejo cada vez mais pessoas usando Bitcoin para pagamentos. Isso reduz o peso sobre o dólar, o que é positivo para o país”, afirmou Trump, ao comentar o papel do BTC como alternativa monetária em um cenário internacional marcado por incertezas econômicas e disputas geopolíticas.
A fala do presidente repercutiu entre economistas e analistas financeiros, que relacionaram sua declaração ao dilema de Triffin — o paradoxo enfrentado por países que emitem moedas de reserva global. Para sustentar a liquidez internacional, os EUA precisam manter déficits comerciais contínuos, o que, a longo prazo, compromete a estabilidade do dólar por meio da emissão excessiva de moeda.
Nesse contexto, o uso crescente do Bitcoin pode funcionar como um alívio estrutural ao sistema, redistribuindo parte da demanda por liquidez global e oferecendo uma reserva de valor que não depende da política monetária norte-americana.
A menção direta de Trump ao Bitcoin marca mais um capítulo na ascensão institucional das criptomoedas. O presidente, que já flertou com a ideia de usar o BTC para reduzir a dívida nacional, agora adota um discurso mais pragmático, apontando a geração de empregos e a inovação tecnológica como fatores que tornam o setor impossível de ser ignorado.
Segundo analistas, mesmo que a proposta de usar Bitcoin para abater os US$ 37 trilhões da dívida pública seja impraticável, o simples reconhecimento da criptomoeda como ativo estratégico sinaliza uma abertura maior da administração federal ao tema.
Enquanto isso, a base monetária M2 dos EUA — indicador que mede a quantidade de dólares em circulação — segue em trajetória de alta, refletindo políticas de estímulo que, embora eficazes no curto prazo, elevam os riscos inflacionários no médio e longo prazo.
Esse cenário reforça o apelo de ativos com oferta limitada, como o Bitcoin, especialmente entre investidores que buscam proteção contra a desvalorização das moedas fiduciárias.
A macroeconomista Lyn Alden, referência no debate sobre Bitcoin, resume o momento com a frase “nada para este trem”, sugerindo que os governos dificilmente conseguirão abandonar a expansão monetária sem consequências econômicas e políticas significativas. Para ela, o BTC funciona como uma reação de mercado a essa dinâmica.
A declaração de Trump ecoa esse diagnóstico e coloca o Bitcoin no centro do debate sobre o futuro da política monetária dos EUA. Mais do que um ativo especulativo, a criptomoeda começa a ser tratada como um instrumento geoeconômico — com implicações para a soberania monetária, o comércio global e o papel do dólar no século XXI.
