A Tools for Humanity (TFH), empresa de tecnologia fundada por Sam Altman, o mesmo da OpenAI, e Alex Blania, anunciou hoje (12) o lançamento oficial, no Brasil, da solução World (que se chamava Worldcoin até o mês passado), a partir de amanhã, em São Paulo. A solução verifica se quem está interagindo pela internet é mesmo humano ou se é inteligência artificial (IA). Para isso, usa imagem da íris das pessoas para identificar se a interação é com humanos ou com inteligência artificial (IA). Por armazenar e usar a íris, que traz uma série de informações pessoais, o projeto é controverso e foi barrado em alguns países por receios em relação à proteção de dados.
Em julho de 2023, a empresa fez apresentações da solução no país como parte de um programa que passou por cerca de 20 países. Agora, colocará 10 pontos para coletar os dados na capital paulista para pessoas maiores de 18 anos. Quem quiser participar do projeto precisa baixar o World App e agendar horário e local da verificação. O dispositivo Orb captura a imagem de alta resolução da íris e converte a informação em algoritmos. Diz a World que envia as imagens da íris para o telefone da pessoa dona dela e deleta do Orb. Mas, as informações continuam lá para uso posterior. E é aí que está a controvérsia.
World usa íris das pessoas
A íris é a parte colorida dos olhos e é uma das “digitais” exclusivas de cada ser humano. Mas, não mudam ao longo dos anos. E nela estão dados pessoais. Por isso, entre os países que tomaram medidas contra o Worldcoin estão a Espanha. Em março passado, a Agência Espanhola de Proteção de Dados (AEPD) emitiu uma medida cautelar mandando a empresa suspender suas operações do World. Isso porque tem preocupações com a coleta e o tratamento de dados pessoais, especialmente os biométricos. Depois disso, a World, que diz ter 16 milhões de usuários no mundo – em abril passado dizia que tinha 10 milhões -, passou a ter controles de idade e de eliminação do código da íris.
Em junho, a autoridade espanhola anunciou que a empresa concordou em não operar até o final do ano ou até que a autoridade de proteção de dados da Baviera (Alemanha), a BayLDA, onde tem sede na Europa também conclua suas investigações sobre a empresa. A decisão final da BayLDA deverá estar em linha com todas as autoridades de supervisão da Europa interessadas no assunto, de acordo com a AEPD. Por preocupações similares, Portugal suspendeu temporariamente as atividades do World, assim como o governo do Quênia, que proibiu a coleta de dados.
Interesse no Drex
No evento de hoje, a empresa citou o relatório Bad Bot da Imperva que disse que quase metade do tráfego online global em 2023 foi gerado por não-humanos, recorde em 10 anos. No Brasil, por conta de fraudes de identidade como deepfakes, foi um dos mais afetados com esse problema. De acordo com estudo da TFH com a Ipsos, 93% das 1,2 mil pessoas entrevistadas no Brasil dissera que foram vítimas de roubo de identidade ou conhecem alguém que foi.
Por ser um projeto de identificação, a TFH disse que está interessada em participar do piloto do Drex. A identidade digital é uma das partes que o piloto do Drex precisa avançar mais, como já indicou o responsável pela iniciativa do Banco Central, Fabio Araújo. No caso da World, com o uso da íris dispensa pedir à pessoas dados pessoais como nome, idade e endereço.
Tokens para quem fornecer a íris
Quem decide ter a íris verificada pode ganhar 25 tokens da Worldcoin (WLD), um beneficio que a empresa está dando a quem lhe passar seus dados. Além disso, ao longo de 12 meses vai receber outros 28. O valor do token é de US$ 2,45 na tarde desta terça-feira. O projeto usa a blockchain World Chain, que é pública e hoje se concentra no projeto.
No Brasil, Rodrigo Tozzi é o gerente de operações da TFH no Brasil e Anna Ana Carvalhido, que já trabalhou com setores como o farmacêutico e atuou na Rappi, é a líder de políticas públicas no país.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





