A Tether, maior emissora de stablecoins do mundo, concluiu a aquisição de 70% da gigante agroindustrial Adecoagro, empresa que atua no Brasil, Argentina e Uruguai. A operação, que começou com um investimento inicial de US$ 100 milhões por 9,8% da companhia em setembro de 2024, foi ampliada em fevereiro para uma participação majoritária de 51% e, em março deste ano, chegou ao controle acionário com 70%. Segundo levantamento da CoinDesk, a Adecoagro tem capitalização de mercado próxima a US$ 1 bilhão.
O objetivo da Tether com a aquisição é expandir a produção da empresa e integrá-la à sua estratégia de promover liberdade econômica por meio de finanças descentralizadas e da tokenização de ativos do mundo real. A iniciativa está alinhada ao lançamento da plataforma Hadron, que pretende transformar ativos tradicionais — como commodities e títulos — em tokens digitais.
“Estamos dando outro passo concreto para conectar as indústrias tradicionais com o futuro das finanças descentralizadas e do empoderamento econômico”, afirmou Paolo Ardoino, CEO da Tether, em declaração oficial. Após a aquisição, houve mudanças na governança da Adecoagro, incluindo a nomeação de Juan Sartori, ligado à Tether, como novo presidente do conselho.
A movimentação da Tether ocorre em um momento de diversificação estratégica. Em 2024, a empresa também investiu em mineração de Bitcoin, inteligência artificial e comunicações criptografadas. Recentemente, adquiriu participação na Bitdeer, mesmo com a queda das ações de mineradoras.
Com lucros recordes, a Tether registrou um resultado líquido de US$ 13 bilhões no ano passado, impulsionado por receitas com juros de títulos do Tesouro dos EUA, Bitcoin e Ouro. Mesmo liderando o mercado de stablecoins com US$ 148 bilhões em circulação de USDT, a empresa ainda enfrenta críticas por não divulgar auditorias completas. Para mitigar essa pressão, anunciou a contratação de um novo diretor financeiro e negociações com uma das “Big Four” da contabilidade para realizar auditoria formal.





