Tangem reforça autocustódia em meio a novas regras cripto
Com MiCA, varejo físico e Tangem Pay no centro da comunicação recente, a Tangem tenta reposicionar a cold wallet como infraestrutura de uso diário — não apenas como cofre para longo prazo.
MiCA recoloca a autocustódia no centro da conversa
A Tangem voltou a bater em uma tecla conhecida, mas agora com um contexto regulatório mais concreto: a diferença entre manter cripto em exchanges e controlar as próprias chaves privadas. Em publicações recentes, a empresa citou o MiCA, novo arcabouço europeu para prestadores de serviços e emissores de criptoativos, para reforçar que mudanças sobre plataformas não alteram o direito do usuário de manter seus ativos sob autocustódia.
O ponto editorial relevante não é uma promessa de blindagem absoluta, mas a separação entre camadas. Segundo a Tangem, sua carteira de hardware mantém as chaves privadas com o usuário e não detém os ativos. Já serviços de terceiros acessíveis pelo app — como exchanges, swaps, staking ou on/off-ramps — podem sofrer alterações de disponibilidade, KYC, suporte a tokens ou cobertura geográfica conforme regras locais.
https://x.com/Tangem/status/2072000758942228550
Cold wallet não é sinônimo de usuário passivo
Outro eixo recente da comunicação da Tangem mira um mito recorrente: a ideia de que carteiras frias seriam usadas apenas por investidores que compram, guardam e desaparecem. A empresa destacou uma pesquisa da Protocol Theory com 3.172 detentores de cripto nos Estados Unidos, segundo a qual usuários de autocustódia apareceram como os traders mais ativos, não como poupadores passivos.
O dado mais chamativo citado pela Tangem é que dois terços dos participantes agora preferem essa abordagem. Para o mercado, isso sugere uma mudança de percepção: autocustódia deixa de ser apenas uma prática defensiva após crises de custódia e passa a ser vista como parte da rotina operacional de quem interage com cripto com mais frequência.
Da prateleira ao pagamento: a tentativa de reduzir atrito
A Tangem também vem explorando uma narrativa de acesso mais simples. Um dos exemplos recentes é a lembrança de que o usuário pode “entrar em uma Best Buy e pegar uma Tangem”. A mensagem é direta: a adoção de autocustódia avançou a ponto de sair do nicho puramente online e aparecer em canais de varejo mais familiares ao consumidor comum.
Na mesma linha, a empresa tem promovido o Tangem Pay como uma experiência de gasto em que o saldo fica em um smart contract controlado pelo usuário, enquanto o cartão é emitido rapidamente, “geralmente em minutos”, segundo a publicação. A comunicação evita a linguagem de produto bancário tradicional e insiste no contraste com modelos custodiais: não se trata apenas de pagar, mas de manter o controle sobre a infraestrutura que movimenta os fundos.
https://x.com/Tangem/status/2072418206908920019
O que observar daqui pra frente
O próximo teste para a Tangem será transformar essa combinação de autocustódia, varejo físico, educação e pagamentos em uso recorrente. As publicações recentes mostram uma tese clara: cold wallets precisam ser compreendidas como ferramenta ativa, não como objeto técnico guardado na gaveta. Em um ambiente de regras mais rígidas para intermediários, a disputa tende a migrar para experiência, clareza regulatória e facilidade de acesso.
Quer conhecer a carteira Tangem e usar o cupom do CriptoBR?
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





