A França registrou 77 casos de sequestro, cárcere, extorsão ou tentativas ligados ao setor cripto em 2026. O Ministério do Interior prometeu reforçar inteligência, coordenação policial e cooperação com a indústria para proteger investidores e executivos.
A França registrou 77 casos de sequestro, cárcere, extorsão ou tentativas de extorsão ligados ao setor cripto desde o início de 2026, segundo números apresentados pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez. O salto é relevante porque supera com folga os 45 casos contabilizados em todo o ano de 2025 e confirma que a ameaça deixou de ser apenas digital.
O governo francês agora promete uma resposta mais ampla para proteger profissionais, investidores e familiares expostos a ataques físicos. A estratégia mira os chamados wrench attacks, termo usado no mercado para golpes em que criminosos usam violência, ameaça ou sequestro para obrigar vítimas a entregar chaves privadas, senhas ou criptoativos.
França amplia plano de segurança para o setor cripto
De acordo com a cobertura da crypto.news, Nuñez apresentou os dados em um encontro com a Association pour le Développement des Actifs Numériques (ADAN), entidade que representa participantes do mercado de ativos digitais na França. O ministro afirmou que cerca de 200 pessoas já foram presas em operações após ataques ou em ações preventivas.
O novo plano francês se apoia em três frentes: mais compartilhamento de inteligência, parceria mais próxima com a ADAN e melhor coordenação operacional entre serviços de segurança. O ponto de inteligência é central porque, segundo as autoridades, parte dos mandantes pode operar fora do território francês, contratando executores locais para agir contra alvos já mapeados.
A preocupação tem contexto. O CriptoBR já havia reportado que a França indiciou 88 pessoas por ataques físicos contra cripto, em um sinal de que o problema envolve redes organizadas, adolescentes recrutados e dados pessoais usados para escolher vítimas. A nova contagem mostra que o ritmo não desacelerou.
Dados vazados e ostentação aumentam risco
Relatório da CertiK sobre ataques físicos em 2026 aponta que a Europa concentrou 28 dos 34 incidentes registrados globalmente nos quatro primeiros meses do ano. Dentro desse recorte, a França apareceu como o principal foco, puxada pela presença de empresas cripto relevantes, por vazamentos de dados sensíveis e pela exposição pública de patrimônio no mercado.
A CertiK também descreveu uma mudança no método dos criminosos: em vez de depender apenas de vigilância física, grupos passaram a usar listas com nome, endereço, perfil financeiro e histórico de exposição das vítimas. Isso torna dados pessoais de holders e executivos tão críticos quanto chaves privadas ou frases-semente.
Esse risco conversa com problemas já vistos no setor. Em outra frente de segurança, o CriptoBR mostrou como um vazamento envolvendo parceiro da Ledger elevou o risco de golpes contra clientes. A diferença agora é que o impacto não fica restrito a phishing, drenagem de carteiras ou engenharia social online: ele pode chegar à porta de casa.
O que muda para holders e empresas
Para investidores comuns, o alerta é direto: exposição pública, prints de carteira, ostentação de ganhos e dados pessoais reaproveitados em serviços terceiros podem criar risco físico. Para empresas, o desafio passa por proteção de executivos, protocolos de resposta rápida e revisão de como informações de clientes e funcionários são armazenadas.
A França lançou sistemas de alerta e identificação para participantes do setor, com 724 cadastros reportados até agora. A ideia é permitir que autoridades reconheçam rapidamente vítimas ou potenciais alvos e acelerem a resposta em casos de ameaça, tentativa de extorsão ou invasão domiciliar.
O avanço desses ataques também amplia a definição de segurança cripto. Não basta auditar contratos inteligentes ou monitorar movimentações on-chain. Como o CriptoBR explicou na matéria sobre IA e auditorias de segurança cripto, a indústria está ficando mais sofisticada na defesa digital, mas a superfície de ataque agora inclui identidade, privacidade, custódia e segurança pessoal.
O caso francês serve como alerta para outros mercados. À medida que a adoção cresce e a regulação aumenta a coleta de dados, a proteção dessas bases passa a ser parte da infraestrutura crítica do setor. Para quem guarda cripto, a lição é simples: privacidade operacional não é paranoia; virou camada básica de gestão de risco.
Mauro Andrade cobre cripto internacional, geopolítica digital e mercado global no CriptoBR. Acompanha movimentos regulatórios nos EUA, Europa e Ásia, adoção institucional por grandes players (BlackRock, Fidelity, JPMorgan) e o impacto geopolítico das criptomoedas no cenário financeiro mundial.





