A Strategy (antiga MicroStrategy) está a caminho de registrar seu segundo maior trimestre de compras de Bitcoin da história. Desde janeiro de 2026, a empresa de Michael Saylor já acumulou 89.618 BTC — o maior volume desde o Q4 de 2024 — e ainda restam duas semanas para o trimestre acabar.
O mais impressionante? Tudo isso aconteceu enquanto o Bitcoin caía cerca de 20% no trimestre, saindo da máxima histórica de US$ 126 mil (outubro de 2025) para os atuais US$ 69 mil. O Fear & Greed Index chegou a 10 — nível de “Medo Extremo” — mas a Strategy não piscou.
761 mil BTC e contando
Com a compra mais recente — 22.337 BTC adquiridos entre 9 e 15 de março a um preço médio de US$ 70.194 — o total da empresa chegou a 761.068 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 57,6 bilhões. O preço médio de aquisição geral está em US$ 75.696 por unidade.
Para efeito de comparação, a Strategy está agora a apenas 24 mil BTC de distância do BlackRock iShares Bitcoin Trust (IBIT), que detém 785.308 BTC. A disputa pelo título de maior detentor institucional de Bitcoin do mundo está mais acirrada do que nunca.
Como a Strategy está financiando as compras
Parte dos recursos veio da venda de sua oferta de ações preferenciais perpétuas, conhecida como Stretch (STRC), que financiou cerca de 15.000 BTC nas últimas duas semanas. No entanto, o programa enfrentou obstáculos recentes quando o preço do STRC não atingiu seu valor nominal de US$ 100, limitando temporariamente essa fonte de capital.
Mesmo com a ação da Strategy (MSTR) acumulando queda de 15% no trimestre, a empresa mantém a postura de que o principal fator de decisão para compras é a disponibilidade de capital, não o preço do Bitcoin.
Contexto: o Q4 2024 como referência
O recorde de compras trimestrais continua sendo o Q4 de 2024, quando a Strategy adquiriu 194.180 BTC durante a alta que levou o Bitcoin de US$ 70 mil a US$ 100 mil. Naquele período, apenas em novembro foram feitas três das cinco maiores compras individuais da empresa: 27.200, 51.780 e 55.500 BTC.
O ritmo atual é mais contido, mas acontece em um cenário completamente oposto — de queda — o que reforça a tese de que Saylor trata o Bitcoin como reserva estratégica de longo prazo, independente de ciclos de curto prazo.
O que isso significa para o mercado
Enquanto o sentimento do mercado está no chão, a acumulação institucional segue firme. Além da Strategy, empresas como a American Bitcoin (ligada à família Trump, com 6.899 BTC) e a Strive (de Vivek Ramaswamy) também continuaram comprando na última semana.
O analista Michaël van de Poppe observou que a relação BTC/Ouro formou um padrão de engolfo de alta no gráfico mensal — um sinal que historicamente marcou fundos de mercado em 2015, 2018 e 2020. “A avaliação do BTC vs. Ouro mostra sinais fortes”, escreveu.
Com duas segundas-feiras restantes no trimestre (dias em que a Strategy tradicionalmente anuncia compras), os olhos do mercado estão voltados para saber se Saylor conseguirá ultrapassar a marca de 100 mil BTC em um único trimestre.
Bottom line: Quando o mercado está em pânico, a Strategy está comprando. E a história mostra que quem acumulou em momentos de Extreme Fear raramente se arrependeu.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





