A Strategy (MSTR), maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, expandiu sua posição na semana passada ao adquirir 3.015 BTC por aproximadamente US$ 204,1 milhões, a um preço médio de US$ 67.700 por unidade. A compra foi revelada em um filing publicado nesta segunda-feira (2).
Com a nova aquisição, a empresa comandada por Michael Saylor passa a deter 720.737 BTC, comprados ao longo do tempo por cerca de US$ 54,77 bilhões — o que representa um preço médio de aproximadamente US$ 75.985 por moeda. Com o Bitcoin negociado na faixa dos US$ 66.000 nesta manhã, o portfólio está tecnicamente no vermelho.
De onde veio o dinheiro?
Para financiar a compra, a Strategy levantou cerca de US$ 229,9 milhões com a venda de ações ordinárias, somados a US$ 7,1 milhões em receitas líquidas de sua ação preferencial perpétua de taxa variável, a STRC. A estratégia segue o padrão que Saylor vem executando há anos: diluir acionistas para acumular mais Bitcoin.
Pompliano também entra na jogada
No mesmo dia, a ProCap Financial, empresa de Anthony Pompliano, revelou a compra de 450 BTC, elevando suas reservas totais para 5.457 moedas. Com isso, a ProCap se tornou a 19ª maior detentora pública de Bitcoin no mundo, além de ter reduzido seu custo médio por moeda com a aquisição.
A companhia ainda recomprou mais de 782 mil ações nos últimos 10 dias, a um desconto significativo em relação ao valor patrimonial líquido (NAV), sinalizando confiança na tese de longo prazo.
Compras na contramão do mercado
Os movimentos chamam atenção porque acontecem em um momento delicado. O Bitcoin caiu para a faixa dos US$ 66.000 após a escalada do conflito entre EUA/Israel e Irã, que já dura três dias. O petróleo disparou 6%, os mercados de ações recuaram e os ETFs de Bitcoin e Ether acumulam mais de US$ 9 bilhões em resgates nos últimos quatro meses.
Enquanto o investidor institucional médio corre para a saída, empresas como Strategy e ProCap fazem exatamente o oposto: compram na queda. O contraste é gritante — e levanta a questão de quem estará certo quando a poeira baixar.
O que observar
Com o conflito no Oriente Médio longe de uma resolução, a volatilidade deve continuar. Analistas apontam que o Bitcoin tem mostrado resiliência relativa, superando o desempenho das ações durante esta fase de risk-off. Se a tese de “reserva de valor digital” se confirmar neste ciclo de tensão geopolítica, as compras de Saylor e Pompliano podem se provar visionárias.
Por outro lado, com um custo médio de quase US$ 76 mil por BTC, a Strategy precisa que o mercado recupere pelo menos 15% só para voltar ao zero. É uma aposta ousada — mas, vindo de Saylor, ninguém esperava menos.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





