O lançamento da Ripple USD (RLUSD), nova stablecoin da Ripple, reacendeu o debate sobre a relevância do XRP no mercado. Para Mike Belshe, CEO da BitGo, o movimento confirma que o token original da empresa falhou em seu objetivo central: facilitar pagamentos internacionais com eficiência.
Durante painel na conferência Digital Banking 2025, Belshe afirmou que a arquitetura do XRP, baseada em duas conversões e exposta à volatilidade, não conseguiu cumprir a promessa de uma infraestrutura global para transações entre moedas. “Stablecoins cumprem essa função de forma mais eficiente. É por isso que a própria Ripple lançou uma”, declarou.
Criado há mais de uma década, o XRP foi projetado como um ativo intermediário para transferências entre diferentes jurisdições — por exemplo, convertendo dólares em XRP, enviando o ativo e depois trocando-o por outra moeda local, como pesos. Mas, segundo Belshe, o modelo nunca superou as barreiras práticas da volatilidade e da adoção institucional.
A Ripple, no entanto, afirma que o RLUSD complementará, e não substituirá, o XRP, que continuará operando como moeda conversível dentro do XRP Ledger. A nova stablecoin já soma US$ 428 milhões em capitalização e cresceu 38,5% em junho, segundo a CoinGecko — um início modesto diante de líderes como USDT e USDC, mas com sinal de tração crescente.
O RLUSD também foi integrado ao projeto de tokenização imobiliária do governo de Dubai, após aprovação regulatória local. Nos EUA, o cenário regulatório parece favorável: o Senado aprovou o projeto GENIUS Act, voltado à regulamentação de stablecoins, com apoio do ex-presidente Donald Trump, que classificou a medida como chave para manter a liderança americana no setor de ativos digitais.
Para Belshe, o avanço das stablecoins reflete uma transição natural do mercado: elas oferecem estabilidade, usabilidade direta e funcionam tanto em transações peer-to-peer quanto via intermediários. Na visão do executivo, tokens que não entregam valor real — como o XRP, em sua análise — tendem a perder espaço rapidamente diante de soluções mais eficazes.
