A SEC (Securities and Exchange Commission) dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (18) a proposta da Nasdaq para negociar títulos tokenizados em sua plataforma, marcando um dos maiores avanços na integração entre blockchain e o mercado de ações tradicional americano.
O programa piloto começa com ações do Russell 1000 e alguns ETFs de índice, onde as versões tokenizadas terão os mesmos direitos, símbolos e prioridade de negociação que suas contrapartes tradicionais.
Como vai funcionar
Na prática, corretoras participantes poderão marcar uma ordem para liquidação tokenizada no momento da entrada. Após a execução da negociação, a Nasdaq encaminha essa instrução ao Depository Trust Company (DTC), que será responsável pela compensação e liquidação dos ativos tokenizados.
Se o DTC não puder processar a solicitação — por incompatibilidade de carteira, blockchain ou elegibilidade — a negociação é liquidada no formato tradicional, sem impacto para o investidor.
As ações tokenizadas serão negociadas no mesmo livro de ordens que as ações tradicionais, pelo mesmo preço, seguindo as mesmas regras de mercado. A SEC confirmou que os padrões de proteção ao investidor, vigilância de mercado e prazos de liquidação permanecem intactos.
Do papel para o blockchain: a nova era dos mercados
A Nasdaq protocolou a proposta em setembro de 2025, comparando a tokenização a inovações anteriores como a decimalização e a eletrificação dos mercados. Na visão da exchange, as estruturas regulatórias existentes já se aplicam aos títulos tokenizados independentemente de estarem em blockchain.
Durante o período de comentários públicos, houve questionamentos relevantes. A SIFMA, principal associação do setor de valores mobiliários dos EUA, e a Cboe Global Markets pediram mais clareza sobre o papel do DTC. A Better Markets se opôs à proposta por preocupações com diferenças de preço e vigilância de mercado.
Por que isso importa
“A SEC está abrindo a porta para que esses ativos avancem além da negociação e entrem em casos de uso financeiros mais amplos”, disse Steven Wu, COO da Clearpool, ao Decrypt. “O mercado já saiu de T+3 para T+1, mas o objetivo final é T+0 e mercados contínuos 24/7.”
A aprovação chega em um momento de corrida pela tokenização entre as maiores bolsas do mundo. A própria Nasdaq anunciou parceria com a Kraken para distribuir ações tokenizadas globalmente. A Intercontinental Exchange (ICE), dona da NYSE, investiu na exchange cripto OKX com planos de lançar novos produtos tokenizados e futuros de cripto.
“Ações tokenizadas apontam para um modelo onde a descoberta de preço não é mais limitada pelos horários tradicionais de mercado.” — Steven Wu, COO da Clearpool
O que muda para o investidor
Para investidores institucionais, a aprovação cria mais flexibilidade no nível do ativo. Segundo Samar Sen, da plataforma institucional Talos, o mercado estará observando de perto como os títulos tokenizados se integram à infraestrutura pós-negociação, especialmente onde a liquidação ainda passa por sistemas centralizados.
O movimento da SEC representa uma validação regulatória para a tokenização de ativos reais (RWA), um dos setores de maior crescimento no ecossistema cripto. Com a segunda maior bolsa do mundo entrando oficialmente no jogo, a expectativa é que outras grandes exchanges acelerem seus próprios programas.
A grande questão agora é: quando o programa piloto da Nasdaq entrará em operação? A exchange ainda não confirmou a data de início.
Oliver Andrade é jornalista, empreendedor e uma das vozes mais ativas do ecossistema cripto brasileiro. Aos 32 anos, casado e pai, concilia a vida pessoal com uma trajetória intensa no mercado de ativos digitais que começou em 2020 — quando...





